RIO - O dólar comercial caiu pela sexta sessão consecutiva nesta terça-feira, recuando 0,35%, a R$ 3,097. Nesse período, a cotação diminuiu R$ 0,10. Na mínima, porém, a divisa chegou a valer R$ 3,089. O câmbio local acompanhou o desempenho da divisa americana em escala global, em dia de divulgação de dados abaixo do esperado sobre o setor imobiliário dos Estados Unidos. Por aqui, também influenciou o início da rolagem dos contratos de “swap cambial” (operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro) que venceriam em junho. Na Bolsa, o índice acionário de referência Ibovespa teve pregão instável mas conseguiu fechar em seua sexta alta consecutiva, avançando 0,3%, aos 68.684 pontos. Uma alta de mais de 3% na Vale compensou o tombo de mias de 8% das ações da JBS, após divulgação de resultado trimestral.
— Esse comportamento do câmbio resulta de um somatório de fatores sobretudo externo. Primeiro, o risco político na Europa diminuiu por causa da eleição de Emmanuel Macron na França. Nos EUA, dados sobre o varejo publicados na última semana e, hoje, de construção de casas geram dúvidas sobre o ritmo de elvação de juros pelo Federal Reserve. Além disso, o vazamento de dados sigilosos por Trump pode enfraquecer seu capital político para implementar seu plano de expansão fiscal. Por fim, as commodities pararam de cair — explicou Mauricio Oreng, estrategista-sênio do Rabobank.
O índice Dollar Spot, da Bloomberg, que mede a força do dólar frente a dez moedas, tem baixa de 0,59%, se aproximando dos níveis em que estavam no momento da eleição de Donald Trump.
— Estamos com cenário externo razoavelmente positivo para paíse sem desenvolvimento. O índice MSCI dos emergentes também está tendo seis dias seguidos de alta. Vemos a recuperação de algumas commodities. Por sua vez, os dados vindos dos EUA não colocam pressão para que o Fed suba juros em ritmo mais rápido. Por aqui, cresce a expectativa de que a Previdência vai avançar — afirmou Ignácio Crespo, economista da Guide Investimento.
No mercado de petróleo, os contratos futuros acabaram fechando em queda, com os investidores realizando lucros após o salto da véspera com reação à proposta de Arábia Saudita e Rússia em estender o programa de corte na produção até março de 2018. O barril do tipo WTI caiu 1,16%, valendo US$ 51,22.
Na sessão de ontem, o mercado apresentou uma inflexão de otimismo, com a probabilidade de um corte de 1,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, no fim do mês, subindo a 76% diante dos dados mais recentes de inflação e atividade. Em relatório, o Itaú Unibanco divulgou ontem previsão de que o corte será dessa magnitude. Já o BofA Merrill Lynch espera corte ainda mais intenso, cortando sua previsão de 9% para 7,5% ao fim de 2017, com mais dois cortes de 1,25pp e depois de 0,75pp e 0,50pp nos encontros de setembro e outubro.
Como resultado, os juros futuros caem. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram queda. O DI para janeiro de 2019 caiu de 8,85% para 8,79%, enquanto o DI para 2021 caiu de 9,6% para 9,51%.
Com a escalada do otimismo nos últimos dias, o risco-país medido pelo CDS (, espécie de seguro contra calote) caiu ontem abaixo dos 200 pontos, o que não acontecia desde janeiro de 2015, quando o Brasil ainda tinha o chamado grau de investimento. Hoje, o contrato caiu 0,99%, para 196 pontos.
Na agenda desta terça-feira , que voltou a contratar em abril e registrou no mês saldo líquido (admissões menos demissões) positivo de 59.856 postos. No mesmo período do ano passado, o resultado foi negativo com 62.844 contratações. Esse foi o segundo mês de geração de empregos em 2017.
Na Bolsa, a principal força negativa veio das ações da JBS, que despencam 8,62% (R$ 9,86) após a companhia ter divulgado seu balanço financeiro para o primeiro trimestre. Embora a companhia tenha registrado lucro líquido de R$ 422,3 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 2,7 bilhões em igual período do ano passado, o resultado foi considerado fraco por analistas sobretudo por causa do desempenho da empresa na América do Sul, cujo cenário é considerado “desafiador” pela próprio JBS.
Já os frigoríficos Minerva caíram 2,09%, depois de funcionário da Polícia Federal informar a jornalistas que a empresa está entre as citadas em nova investigação sobre supostos subornos a trabalhadores do Ministério da Agricultura.
A Petrobras fcehou estável com as ações ON (a R$ 16,19) e em alta nas ações PN, de 0,13% (R$ 15,70). A Vale, por outro lado, subiu 2,29% (ON, a R$ 27,26) e 3,22% (PNA, a R$ 25,94). O minério de ferro subiu 0,61% na China, valendo US$ 61,17.

