SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar recuou 1,72%, a R$ 5,3540, nesta terça-feira (2), após a vitória dos candidatos apoiados por Jair Bolsonaro (sem partido) nas presidências do Congresso. A expectativa do mercado é de retomada das reformas, após Arthur Lira (PP-AL) ser eleito com larga vantagem em primeiro turno para liderar a Câmara. No Senado, o escolhido foi Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que prometeu esforço para conduzir pautas de interesse do Poder Executivo. "No geral, os votos esmagadores de ambos os candidatos em torno (ou acima) da maioria constitucional (60%) em ambas as Casas Legislativas devem fortalecer a interpretação de que as reformas estruturais têm maior probabilidade de serem aprovadas, apoiando os preços dos ativos domésticos", disse o Citi em nota. Dentre emergentes, o real foi a moeda que mais se valorizou na sessão. No entanto, várias análises de profissionais de mercado destacaram que, apesar de pronta para um retorno, a agenda de reformas ainda enfrentará dificuldades políticas. "A estagnação dessa pauta (econômica) em 2020 ocorreu muito mais em função da eclosão da pandemia do coronavírus e da trepidez do próprio governo do que de uma postura antagônica dos antigos presidentes do Legislativo. Para que as reformas avancem em 2021, a mudança terá de vir do próprio Planalto", disse Conrado Magalhães, da Guide Investimentos. Para Gustavo Arruda, economista chefe do BNP Paribas no Brasil, o Congresso está hoje menos preso à relação de troca com o governo do que o próprio Executivo. "Então vejo uma chance de a gente se decepcionar com a agenda" de reformas, disse, citando, por exemplo, risco de o Legislativo aprovar novo auxílio sem contrapartidas. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça que, agora, o governo está mais perto de conseguir colocar em votação reformas fiscais no Congresso. O Ibovespa fechou em alta de 0,61%, a 118.233 pontos. Nos EUA, o S&P 500 teve ganhos de 1,39%. Dow Jones subiu 1,57%, e Nasdaq, 1,56%.