JOHANNESBURGO — Dois mil milionários brasileiros deixaram o país para viver em outras lugares do mundo em 2017, sendo que mais mil deles saíram da cidade de São Paulo. E os destinos preferidos para fixar moradia são Portugal, Estados Unidos e Espanha, indicam dados do relatório Global Wealth Migration Review, do New World Wealth, grupo de pesquisa de mercado global com sede em Joannesburgo, na África do Sul.
Pelo terceiro ano consecutivo, a maior economia da América Latina figura no ranking dos dez países com maior fluxo de saída de indivíduos com patrimônio líquido alto (HNWIs) - aqueles com ativos iguais ou acima de US $ 1 milhão. No ano passado, o Brasil ficou em sétimo lugar no mundo em termos de emigração milionária, atrás da China, que perdeu 10 mil milionários, Índia, Turquia, Reino Unido, França e Rússia. A Venezuela, com quase um sétimo da população brasileira, perdeu mil milionários no último ano.
O Global Wealth Migration Review, patrocinado pelo AfrAsia Bank, com sede nas Maurícias, acompanha as tendências de migração de riqueza nos últimos 10 anos. O relatório argumenta que os números da riqueza fornecem um melhor indicador da saúde financeira de uma economia do que os números do PIB.
"Se um país está perdendo um grande número de indivíduos com patrimônio líquido alto para a migração, é provável que seja devido a sérios problemas naquele país - isto é, violência, falta de oportunidades de negócios, tensões religiosas etc., afirma o grupo .
Nos últimos anos, o Brasil sofreu a pior recessão já registrada. Sua recuperação tem sido anêmica e altos níveis de criminalidade continuam a aumentar. Números de órgãos fiscais brasileiros mostram que 21.701 brasileiros deixaram o país no ano passado, em comparação com 20.571 em 2016 e 14.637, em 2015. Na segunda-feira, economistas consultados pelo Banco Central do Brasil reduziram ainda mais suas previsões mais recentes de crescimento da economia neste ano para 1,47%, frente aos 1,49% na semana anterior.

