Início Economia Dívida pública cai 0,87% e encerra janeiro em R$ 3,53 trilhões
Economia

Dívida pública cai 0,87% e encerra janeiro em R$ 3,53 trilhões

Envie
Envie

BRASÍLIA - A dívida pública federal encerrou janeiro em R$ 3,53 trilhões. O número representa uma redução de 0,87% em relação a dezembro, quando o estoque era de R$ 3,56 trilhões. Tanto a dívida externa quanto a interna apresentaram queda, de 0,76% e 0,87%, respectivamente.

No mês, o resgate de títulos superou em muito as vendas. Ao todo, foram emitidos R$ 1,8 bilhão em papéis. E R$ 3,4 bilhões foram resgatados. O mesmo movimento tem sido observado desde agosto do ano passado. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Leandro Secunho, explica que isso não afeta o financiamento do Tesouro Nacional e disse que a movimentação pode ser fruto de várias questões, entre elas uma migração para renda variável em razão da valorização da Bolsa de Valores de São Paulo.

— Motivação pode ter várias. Por exemplo, investidores procurando outras alternativas.

A maior parte dos títulos públicos está nas mãos de fundos de investimento. Eles representam 27,28% do total. Em seguida estão os fundos de Previdência (24,98%) e as instituições financeiras (21,29%). O percentual de estrangeiros que possuem papéis do Tesouro apresentou um leve aumento em relação a dezembro, foi de 12,12% para 12,41%.

A maioria dos papéis que financiam a dívida são prefixados, 33,80%. Esse tipo de título possui taxas fixadas no momento da compra, o que dá mais previsibilidade ao Tesouro. Em seguida estão os títulos vinculados à Selic (32,4%) e à inflação (30,17%). Os papéis atrelados ao câmbio – emitidos apenas no mercado internacional – representam 3,60% do total.

O número de títulos que vencem nos próximos 12 meses aumentou e passou de 16,9% do total para 17,9%. Esse é um dos indicadores de qualidade da dívida. Para o Tesouro, não é interessante que esse número aumente muito. O prazo médio da dívida passou de 4,26 anos para 4,32 anos.

Secunho minimizou o impacto da reavaliação, para baixo, da nota de crédito (espécie de selo de bom pagador) do Brasil. Na sexta-feira, a agência de avaliação de risco Fitch rebaixou a nota brasileira de BB para BB-. Segundo ele, o grau de investimento brasileiro é muito importante, mas, a despeito da piora nos últimos meses, ainda há interesse pelos títulos públicos do país.

Ele ressaltou que, na última emissão do Global 2047, título de 30 anos do governo federal, em 23 de janeiro, o Tesouro conseguiu pagar uma taxa de juros menor do que a emissão desse mesmo título feita anteriormente:

— Existe demanda, existe atratividade pelos títulos brasileiros. Emitimos um título de 30 anos a uma taxa de 5,60% ao ano. E em algum momento em que ainda tínhamos o “investment grade”, emitimos a 5,80%.

Secunho ainda afirmou que, em um cenário de não aprovação da reforma da Previdência, necessariamente o custo da dívida aumentaria. Com os gastos crescentes da Previdência, o governo tem que se endividar mais para conseguir dar conta de todas as suas despesas. E, com as contas desequilibradas, os investidores pedem taxas mais altas para compensar o risco.

— Não havendo reforma, necessidade de financiamento aumenta, investidores pedem taxa mais alta. Uma deterioração nas contas fiscais necessariamente leva a um aumento do custo da dívida.

Siga-nos no

Google News