RIO - A dívida total dos países emergentes disparou para US$ 19,3 trilhões, quase quatro vezes o montante de US$ 5 trilhões de uma década atrás. Mais da metade desse débito (US$ 11 trilhões) vêm da China, O país asiático tinha apenas US$ 1,5 trilhão há dez anos. O valor engloba tanto dívidas soberanas (emitidas pelos países) quanto corporativas (de empresas).
O bom momento para essas nações, que se beneficiaram em 2017 da recuperação do preço das e do dólar fraco, parece agora chegar a uma fase “desafiadora”, aponta a agência de classificação de risco Fitch Ratings, que destaca que a alta da moeda americana diante do aumento dos juros americanos vai testar as vulnerabilidades dessas economias.
“Os benefícios do dólar fraco e da alta de preços de commodities que apoiaram o forte crescimento dos mercados emergentes em 2017 (maior renda do dólar, peso mais ameno do endividamento externo e recuperação dos fluxos de capitais) estão começando a enfraquecer. Países e empresas emergentes tendem a enfrentar condições econômicas e financeiras mais desafiadoras na medida em que os Estados Unidos mantenham o aperto monetário e as taxas continuem a subir. A expectativa de fim das políticas de afrouxamento do Banco Central Europeu (BCE) no segundo trimestre e o início do aperto em 2019 será mais um fator nessas pressões”, aponta relatório da Fitch.
A China foi o país com ritmo mais rápido de expansão da dívida na última década, mas a Fitch também cita a Índia, o Chile e as Filipinas. No caso da dívida corporativa, há uma aceleração em vários países: China, Indonésia, Turquia, México e também o Brasil, embora de forma menos extensa.
No período, houve uma queda na participação de dívida em moeda estrangeira, que era 16% em 2007 e caiu para 12% em 2017, uma sinalização positiva, já que atenua as vulnerabilidades externas que provocaram a crise asiática dos anos 90. China, Brasil e Índia são citados entre as nações com maior parcela do débito em moeda local: mais de 95%.
“Apesar disso, os emergentes continuam vulneráveis à alta dos juros nos Estados, a um dólar mais forte e à uma reversão dos fluxos intensos de capital. Títulos em moeda local são comprados principalmente por investidores domésticos, como fundos de pensão, seguradoras e bancos, uma fonte relativamente estável. Mas também são comprados por investidores estrangeiros em busca de ganhos de câmbio e crédito”, avalia a Fitch.
As moedas de Argentina, Turquia e Brasil são citados pela Fitch como exemplos de maior impacto por causa da alta de juros nos Estados Unidos este ano. Segundo a agência, os índices de endividamento de emergentes se enfraqueceram este ano e os fluxos de capital caíram de forma intensa em 2018.

