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Diretor do Banco Mundial:‘Nosso modelo econômico está condenado a encolher’

RIO - O diretor do Banco Mundial, Otaviano Canuto, acredita que o modelo brasileiro, de uma economia fechada, está fadado a encollher.

Quando olhamos a produção científica das universidades públicas e algumas privadas, ela é muito boa, com bom número de trabalhos acadêmicos produzidos. Mas há uma distância enorme da produção científica e a absorção e dessa produção em inovações nos processos produtivos.

Há falta de incentivo, restrições para o pesquisador ou engenheiro usufruir de ganhos de royalties, mas hoje a estrutura universitária é mais permeável a se construir essa ponte entre ciência e tecnologia. Se houvesse mais demanda do setor privado, o lado universitário teria mais incentivos para sair da redoma e produzir mais engenheiros e menos advogados Países que estavam em situação de industrialização nos anos 1980, a atividade de pesquisa cresceu, principalmente no lado privado. Movimento similar na China atualmente, no Japão, no pós-guerra, nos Tigres Asiáticos, no qual o setor privado absorveu tecnologia. Não vimos, e não estamos vendo isso no Brasil.

A Embraer (que tem parceira para especialização em engenharia com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica - ITA), a Petrobras que adquiriu capacidade de exploração em alto-mar, inclusive com programas de formação na área. O terceiro exemplo é agricultura, sofisticada e moderna. O sistema de produção cientifica foi adequado por haver demanda. O investimento parte pela oferta, como a Embrapa, pesquisas que só florescerem porque havia demanda.

Verificamos o peso das exportações e importações em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), controlando pelo tamanho, pelo país estar na América do Sul, não ter qualquer grande centro dinâmico próximo, ainda assim, entre os seus pares é o país mais fechado entre todos os emergentes. A Noruega, que tem cinco milhões de habitantes, tem o mesmo número de exportadores que o Brasil. Nossa corrente de comércio (exportações mais importações) representam 27,6% em 2013, enquanto o índice médio é de 55%. Dado o tamanho de sua economia, esperamos que o comércio brasileiro seja igual a 85% do PIB, três vezes seu tamanho real.

Ficamos empurrando esse problema com a barriga há décadas, sem diminuir a nossa distância em relação ao resto do mundo, inclusive em relação aos nossos vizinhos. Estamos aquém onde poderiam estar. Os defensores dessas ideias (protecionistas) sequer se dão conta de que a receita que defendem só vai aprofundar esse processo. Para ter esperança de salvação, a indústria manufatureira precisa integrar, fazer parte de cadeias de valor. Nosso modelo está condenado a encolher, só serve para gerar sobre lucro temporário. Para ter esperança tem que integrar.

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