PEQUIM - A China acompanha com lupa os desdobramentos das investigações da Operação Carne Fraca. Tudo indica que os três frigoríficos interditados nos últimos dias não exportavam para o mercado chinês, para alívio brasileiro, que tem no país um dos seus principais compradores de carnes. Ainda é preciso aguardar, porém, o resultado da fiscalização especial a que estão sendo submetidas outras 21 plantas. As autoridades sanitárias da China procuraram a embaixada do Brasil em Pequim no sábado para cobrar explicações. Nas próximas horas, devem convocar uma reunião com o lado brasileiro para entender se há riscos para o consumidor chinês.
brasil é o maior fornecedor
Por enquanto, não há sinais de que a China estaria disposta a suspender as importações brasileiras de carnes. Mas o governo do Brasil ainda não descarta essa possibilidade. Não seria a primeira vez. No fim de 2016, o país suspendeu as importações de frangos de cinco frigoríficos brasileiros. Desde então, duas unidades retomaram as vendas. O fato é que, muitas vezes, estas suspensões podem acontecer por pequenos problemas, como formulários mal preenchidos.
A maior preocupação das autoridades brasileiras, neste momento, é que o Brasil nunca vendeu tanta carne para os chineses. Foram cerca de US$ 2 bilhões no ano passado.
— Estamos em alerta. Passamos todas as informações disponíveis com o grau de celeridade necessário aos chineses. A transparência é essencial, e o diálogo é o mais importante — disse ao GLOBO o embaixador brasileiro em Pequim, Marcos Caramuru.
O Brasil fornece 80% da carne de frango importada pela China. Em 2016, o país ultrapassou os australianos e passou a ser também o maior vendedor de carne bovina para os chineses.
O que tem mantido os chineses um pouco menos ansiosos em relação à Operação Carne Fraca até o momento é o fato de que as carnes enviadas para o seu mercado são submetidas à vigilância feita pelo próprio país. Cada abatedouro que exporta para a China tem que cumprir regras da fiscalização chinesa.
Durante três anos, as exportações de carnes bovinas para a China estiveram sob embargo por conta de casos da doença da vaca louca em 2012. Só foram liberadas em maio de 2015. Pouco mais de um ano depois, o país saiu na frente e se tornou o maior fornecedor do mercado chinês.
A expectativa do governo brasileiro é que, se todas as informações forem fornecidas aos países que compram a carne brasileira e, se ficar claro que as unidades envolvidas no escândalo nada têm a ver com o mercado externo, é possível minimizar os danos.
A cobertura sobre o caso pela mídia chinesa neste fim de semana foi bastante pontual, limitando-se a descrever a operação da Polícia Federal, sem mencionar eventuais riscos para o consumidor chinês. “A polícia brasileira revelou na sexta-feira um grande esquema de adulteração de carnes, que envolve alguns dos maiores produtores do país”, diz a agência estatal Xinhua, informando que a carne era vendida nos mercados doméstico e internacional, sem se referir à China em especial. O canal CCTV também veiculou reportagem sobre o assunto




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