FRANKFURT, 28 Mai (Reuters) - A decisão do Banco Central Europeu de deixar as taxas de juros inalteradas em abril foi difícil para algumas autoridades uma vez que a inflação persistentemente alta tornou cada vez mais difícil ignorar o choque de preços provocado pela energia, segundo a ata da reunião.
A inflação saltou para 3% no mês passado na base anual e é provável que haja um novo aumento uma vez que a guerra no Irã está durando mais do que o inicialmente esperado, tornando muito provável que o BCE siga seus alertas anteriores com um movimento real no próximo mês.
"Vários membros observaram que a decisão foi difícil e que não teriam se oposto ao aumento das taxas na reunião atual se isso tivesse sido cogitado", disse o BCE na ata da reunião de 29 e 30 de abril divulgada nesta quinta-feira.
"O valor da opção de esperar para aumentar as taxas de juros diminuiu desde a última reunião, e tornou-se cada vez mais improvável que uma abordagem de avaliar sem qualquer ação de política monetária seja apropriada," disse o BCE.
No entanto, o banco decidiu não tomar essa medida em abril, pois ainda não havia evidências de que o choque no preço da energia estivesse se infiltrando em outras partes da economia por meio de efeitos secundários.
Isso ainda pode acontecer, exigindo ação, de modo que as autoridades também fizeram questão de sinalizar aos mercados que não há complacência, que o banco está pronto para agir e que junho está em seu foco.
"A comunicação não deve dar a impressão de que o Conselho do BCE estava inclinado a ignorar o choque de oferta", apontou a ata. "Os membros enfatizaram a necessidade de sinalizar vigilância e comunicar que os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para o crescimento se intensificaram."
As autoridades argumentaram que terão uma grande quantidade de novas informações até a reunião de junho, além de novas projeções econômicas, oferecendo maior clareza.
Apoiando as expectativas de um aumento, elas também disseram que os preços da energia provavelmente permanecerão altos por um período mais longo e que as interrupções no fornecimento podem se estender além do petróleo e atingir outros produtos.
Outro risco é de que os governos ofereçam subsídios aos consumidores contra os altos preços da energia, como fizeram em 2022, possivelmente exacerbando o problema da inflação, mostrou a ata.
Os mercados financeiros precificam quase três aumentos na taxa de depósito, atualmente em 2%, ao longo do próximo ano, com o primeiro totalmente precificada em julho e o segundo em outubro.
(Reportagem de Balazs Koranyi)



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