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‘Debate sobre limite da dívida nos EUA será crítico para saúde da economia’

WASHINGTON - As incertezas sobre o real impacto do governo de Donald Trump na economia são a tônica dos analistas internacionais. A maior consultoria de risco político do mundo avalia que o governo Trump, que assume a Casa Branca na sexta-feira, pode ampliar o crescimento global ou desestabilizar a economia do planeta, segundo Jon Lieber, diretor para Estados Unidos da Eurasia Group. Ele lembra que as pistas da política econômica de Trump serão conhecidas com seu Orçamento, que precisa ser aprovado até abril, e que um dos grandes desafios virá em março, quando está previsto para voltar a vigorar o teto da dívida pública dos EUA.

Mnuchin é um financista e conselheiro de Trump, que está sendo recompensado por sua lealdade ao magnata. É um dos que teriam chance de não ser confirmados (pelo Senado) por seus complicados laços financeiros e pelo uso controverso de subsídios do governo para lucrar na crise de 2009. Acreditamos que o Senado (dominado por republicanos) vai confirmá-lo. Ele não tem experiência no governo ou na política e vem de uma carreira de negócios bem-sucedida, trajetória parecida com a do presidente eleito. Mnuchin lutará com Gary Cohn, futuro presidente do Conselho Econômico Nacional, para manter influência na Casa Branca. Cohn tinha papel muito mais sênior e poderoso no Goldman Sachs, onde ambos trabalhavam. O poder de Mnuchin neste governo será amplo, incluindo a reforma tributária e a frente para definir a China como manipuladora de sua moeda (abrindo espaço a sanções comerciais) e supervisionar a revisão de normas para investimentos estrangeiros em empresas dos EUA. Ele pode ter problemas se não se cercar de conselheiros com experiência em Washington.

Os primeiros cem dias de Trump serão dominados pelo esforço para desfazer o máximo e o mais rápido possível o legado de (Barack) Obama. Sua primeira conquista será pôr fim ao Obamacare (sistema de saúde criado por Obama). E deve revogar uma série de normas de Obama em energia, serviços financeiros e mercado de trabalho. O mais importante economicamente é que Trump terá que apresentar seu primeiro Orçamento e aprová-lo antes de abril. Esta será a oportunidade para desenvolver sua agenda econômica e legislativa e fornecer ao mundo uma pista sobre o que pretende fazer sobre política fiscal e gastos. Especialmente crítico para a saúde da economia será o debate sobre o limite da dívida pública, que está programado para voltar a vigorar em março, embora o Tesouro tenha ferramentas para prorrogar o prazo até o verão (junho, no Hemisfério Norte). No entanto, alguns dos conselheiros de Trump não acreditam que o limite da dívida tenha um prazo real e que os EUA podem priorizar pagamentos para evitar calote. Se isso se tornar o ponto de vista predominante, o limite de dívida pode ser o item economicamente mais significativo de seu primeiro ano, pois os mercados reagirão muito mal a qualquer sugestão de que os EUA poderiam não pagar sua dívida.

Há expectativa positiva e negativa. Trump traz a possibilidade de reformas há muito esperadas para o sistema de impostos e imigração dos EUA, que podem ser pró-crescimento. A reforma tributária de Trump poderia permitir que empresas dos EUA repatriassem fundos que estão no exterior por uma taxa de imposto mais baixa. Ele deve lutar contra a imigração ilegal e isso criará pressão sobre o Congresso para reformar o sistema de imigração a fim de permitir que trabalhadores mais qualificados entrem nos EUA. O risco é saber como o resto do mundo reagirá à presidência não convencional de Trump. Sua imprevisibilidade e falta de habilidades diplomáticas podem levar a China a retaliar com ações comerciais agressivas ou a responder a provocações militares com força, fazendo a situação sair do controle. A relação de Trump com a Rússia pode dar a Moscou liberdade para ameaçar vizinhos e tentar expandir sua esfera de influência. Sem os EUA como força estabilizadora, a economia mundial e a ordem geopolítica correm o risco de viver uma convulsão, com consequências negativas para o sustento das pessoas em todo o mundo.

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