SÃO PAULO - O dólar perde força em escala global após a divulgação de dados que mostram a economia americana mais fraca que o esperado, o que deve postergar a alta de juros nos Estados Unidos. O dólar comercial recua 0,47% ante o real, cotado a R$ 3,161. Essa queda só não é maior devido às tensões sobre a Coreia do Norte. Já o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), opera em alta de 0,46%, aos 67.305 pontos.
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) em julho ficou em 0,1%, abaixo do esperado pelo mercado, que era uma alta dos preços de 0,2%. Com baixa pressão inflacionária, cresceu a aposta de que o Federal Reserve (Fed, o bc americano) manterá as taxas atuais até o final do ano. Atualmente, o juro está entre 1% e 1,25% ao ano.
— O dólar no Brasil acompanha o movimento externo. A moeda perde força porque os juros nos Estados Unidos só devem subir ano que vem em função da dívida um pouco mais fraca — avaliou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
A preocupação em relação aos problemas geopolíticos entre Estados Unidos e Coreia do Norte continua. Além disso, os investidores podem buscar proteção no dólar à espera do anúncio das medidas em torno do ajuste fiscal.
— O adiamento do anúncio das novas metas fiscais que era esperado para hoje e ficou para a próxima segunda-feira deve colocar um viés de proteção em nosso dólar — avaliou Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio.
No exterior, o “dollar index” opera em queda de 0,23%.
Já no mercado acionário, as principais ações operam em queda, o que impede a alta do Ibovespa. As ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras caem 0,90%, cotadas a R$ 13,07, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) avançam 1,46%, a R$ 13,42. A estatal anunciou na noite de ontem um lucro de R$ 316 milhões. Analistas da Yield Capital consideraram o resultado bom, mas com os números recorrentes com um desempenho um pouco abaixo do esperado. No exterior, o petróleo do tipo Brent cai 0,71%, a US$ 51,53 o barril.
Já os papéis da Vale registram queda de 1,13% nos preferenciais e de 1,68% nos ordinários.
Entre as altas, os papéis ligados ao segmento de consumo e varejo se destacam, como é o caso da BRF, que também já divulgou seu balanço do segundo trimestre. Os papéis sobem 4,92%. No caso da JBS, a alta é de 5,28%. Segundo Figueredo, da Clear, esse é um setor, assim como o bancário, que se beneficia do processo de corte de juros.
— As empresas ligadas ao varejo e consumo e os bancos estão subindo, sustentando o Ibovespa, assim como o setor imobiliário. O processo de corte de juros ajuda essas empresas — disse.

