RIO - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo administrativo para apurar notícias sobre possíveis irregularidades cometidas pela JBS no mercado. Ontem, , circulou entre agentes financeiros o rumor de que teria comprado grande volume de dólares no mercado de câmbio poucas horas antes de o colunista Lauro Jardim revelar as denúncia do sócio da JBS, Joesley Batista, contra o presidente Michel Temer, na quarta-feira. Assim, a companhia teria se beneficiado do salto de mais de 8% da divisa americana na quinta-feira, provocado justamente pelas alegações de Joesley Batista contra Temer. Se confirmado, o movimento configuraria uso indevido de informações privilegiadas (), prática vedada pela (CVM).
O processo (de número 19957.004476/2017-03) foi aberto pela Gerência de Acompanhamento de Empresas da autarquia na quinta-feira. A CVM ainda não informou exatamente sobre o que o processo investiga.
Como o mercado financeiro prevê sigilo dos investidores, não é possível identificar explicitamente a JBS como solicitante das operações. Procurada pelo GLOBO, a JBS não quis comentar a informação.
— Eles teriam acessado o mercado de câmbio e, em meia hora, comprado enorme quantidade de dólares — disse um operador ao GLOBO na quinta-feira, que preferiu não ser identificado.
Segundo um gestor carioca, os rumores mencionavam compra na casa de R$ 1 bilhão.
A JBS é conhecida por sua agressividade no mercado de câmbio, considerada excessiva mesmo para uma empresa com grandes negócios no exterior. No primeiro trimestre, o resultado das variações cambiais e do ajuste dos derivativos cambiais — instrumento usado para se proteger de oscilações do câmbio — totalizou R$ 441,1 milhões.
Na quarta-feira, o real teve a maior depreciação entre as 31 divisas mais relevantes do mundo, com o dólar saltando 1,2%, a R$ 3,13. Ontem, o dólar encerrou em R$ 3,39, alta de 8,16% — maior avanço diário desde 1999.
Circulou entre operadores do mercado ontem que a JBS também teria se beneficiado com operações no mercado de ações, vendendo papéis antes do tombo de mais de 8% da B3 (ex-Bovespa) com a delação da JBS. Segundo formulário apresentado pela companhia à CVM nas últimas semanas, só em abril a firma vendeu R$ 328,5 milhões de suas próprias ações no mercado, antes de a companhia entrar na sequência sete quedas seguidas que amarga até o pregão desta sexta-feira.


