SÃO PAULO. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizou nesta segunda-feira o seu ato de 1º de Maio, na Avenida Paulista, em São Paulo, marcado por críticas ao governo do presidente Michel Temer e às reformas Trabalhista e da Previdência. Em discursos, os sindicalistas e políticos destacaram a greve do último dia 28. O presidente da CUT, Vagner Freitas, ainda convocou as pessoas a marcharem a Curitiba para acompanhar o depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, no dia 10.
O prefeito de São Paulo, João Doria, também foi alvo das falas por ter tentado impedir que o evento se realizasse na Paulista. A prefeitura chegou a conseguir uma liminar para barrar a festa no local, mas a CUT recorreu e, por meio de um acordo com a Justiça, aceitou fazer apenas um ato político na Paulista sem os shows, inicialmente programados. Os shows foram realizados na Praça da República, no centro.
- Os companheiros e companheiras ocupam a Paulista, mesmo contra as ordens desse autoritário safado do prefeito João Doria - discursou o presidente do PT, Rui Falcão.
Falcão ainda clamou “pela libertação dos presos políticos do PT, que estão presos sem culpa formada e não têm direito ao habeas corpus, que é um direito fundamental”. O dirigente petista se referia ao ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e ao ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, presos em Curitiba pela Lava-Jato.
Como já havia ocorrido no ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do ato da CUT nesta segunda-feira.
Os gritos de "fora Temer" dominaram os intervalos entre os discursos.
- É importante destacar que este é um ato de continuidade ao dia 28. O Brasil é contra as propostas apresentadas pelo Temer. É o presidente mais impopular da história do Brasil. Ele não pode fazer as reformas porque nem tem legitimidade nem credibilidade para isso - afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, que defendeu ainda a realização de eleições diretas já.
Líderes dos movimentos prometeram manter a estratégia de trancar ruas e avenidas em novas manifestações.
- A Central de Movimentos Populares foi acusada de fazer tática de guerrilha urbana. Não usamos ainda, mas se necessário for, vamos usar todos os meios necessários - discursou Raimundo Bonfim, da CMP, que revelou ainda que Doria também está "no radar" do movimento.
Os dirigentes sindicais vão se reunir na quinta-feira para decidir se será realizada agora uma marcha até Brasília ou fazer uma nova greve geral. Vagner Freitas revelou ainda que se reunirá nesta terça-feira com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, para tratar das reformas.
O público foi menor do que em outros anos anteriores e ocupou pouco mais da metade uma quarteirão da Paulista.
- Foram dois atos próximos um do outro, o que acaba prejudicando - afirmou o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).
Durante o ato, também foi denunciada a decretação da prisão preventiva de três integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) detidos durante a greve da última sexta-feira.
- Foram presos com acusações esdrúxulas, sem nenhuma prova e indício. No sábado, o pedido de liberdade foi negada pela juíza, que alegou a defesa da ordem pública, argumento próprio de regimes de exceção e autoritários. São presos políticos da greve - disse Guilherme Boulos, líder do MTST.
No despacho em que decreta a prisão preventiva, a juíza Marcela Filus Coelho diz que a prisão é justificada pelas provas "em especial nos relatos dos policiais militares". Luciano Antônio Firmino é acusado de incêndio tentado e incitação ao crime. Já Juraci Alves dos Santos e Ricardo Rodrigues dos Santos são acusados de explosão e incitação ao crime.

