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Criação de 3ª empresa é opção viável para unir Boeing e Embraer, dizem especialistas

SÃO PAULO. A criação de uma terceira empresa entre Boeing e Embraer, que ficaria encarregada da operação de jatos comerciais da fabricante brasileira, é de fato uma alternativa à venda do controle total da companhia, já descartada pelo governo brasileiro. A ideia de se criar uma terceira empresa, que incorporaria a divisão de jatos comerciais da Embraer, foi revelada pela colunista do GLOBO Mirian Leitão nesta sexta-feira. Na prática, entretanto, observam especialistas em aviação, essa estratégia poderia trazer riscos para o segmento de defesa da Embraer, considerando que a aviação comercial é responsável por 85% do seu lucro operacional desde 2013.

— É claro que se todas as áreas da Embraer (militar e executiva) entrassem no acordo seria melhor. Mas se não dá para ter tudo, já que o governo não concorda em vender o controle da Embraer — e tem suas razões estratégicas para isso — o modelo de negócio de criar uma terceira empresa é uma opção inteligente. O ideal é que se discuta um contrato que traga salvaguardas para as demais áreas garantindo, por exemplo, que o time de engenharia da Embraer continue trabalhando para todos os segmentos — diz Adalberto Febeliano, professor de economia do transporte aéreo.

Ele diz que, diferente da Bombardier, que estava em situação financeira menos favorável quando decidiu fazer uma parceria com a Airbus (com 50,1% de participação dos europeus no C Series), a Embraer está em boas condições financeiras e pode costurar um acordo interessante.

— A criação de uma terceira empresa poderia elevar muito as vendas de aviões comerciais da Embraer, já que a fabricante brasileira passaria a ter acesso a mais mercados. Essa associação certamente seria lucrativa para a Embraer, que poderia usar a receita extra para continuar investindo nas áreas militar e executiva — diz Febeliano.

Ele lembra, por exemplo, que a Boeing precisará substituir seus modelos737, com entre 150 e 200 lugares. Se o acordo com a Boeing for adiante, diz Febeliano, a Boeing já poderia entrar nesse projeto.

— A Boeing produz cerca de 40 modelos 737 por mês. Imagine a Embraer participando desse projeto, montando quase dois aviões por dia — observa o especialista.

Um fonte próxima às negociações informou que a Boeing está estudando a estrutura do negócio, mas ainda não há nada definido". Segundo fontes próximas ao negócio, a Boeing entregou nesta sexta uma proposta para a criação de uma terceira empresa numa associação com a Embraer. Foi a alternativa encontrada pela Boeing para contornar a resistência do governo brasileiro ao negócio.

Para o sócio da área de direito aeronáutico do Escritório SBZ Advogados, Guilherme Amaral, a ideia de se criar uma outra empresa que incoporaria a divisão de jatos comerciais da Embraer com controle conjunto das duas empresas, é um “desenho possível juridicamente”.

— Para o governo seria uma opção para não abrir mão do setor de defesa, considerado estratégico. É também modelo que faz sentido para a Boeing, embora ela não seria a dona nem teria todos os ganhos de sinergia que teria com o modelo pensado inicialmente, de aquisição completa da Embraer — diz Amaral, acrescentando. — Não é fácil, pois vai exigir que se discuta com os acionistas da Embraer e ver quanto a Boeing vai oferecer. Mas é um modelo que pode evoluir para um acordo e é sustentável do ponto de vista jurídico.

Jorge Leal de Medeiros, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), concorda que uma terceira empresa contornaria a questão defendida pelo governo de manter com a Embraer a área de Defesa — estratégica para o governo — mas é preciso "evitar qualquer imediatismo na negociação".

— É preciso chegar a um modelo que preserve a equipe de desenvolvimento tecnológico da Embraer, que teve investimentos desde a década de 50, levando anos para a criação de tantos especialistas — afirma Medeiros.

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