Correios avançam em reestruturação sensível, disputa no delivery piora e outros destaques do mercado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Como os Correios começam a entrar em território sensível no plano de reestruturação financeira, empresas de delivery abaixam o nível da briga e outros destaques do mercado nesta sexta-feira (14).
**ANTES DE COMEÇAR**
Alessandro Stefanutto, ex presidente do INSS, foi preso ontem pela Polícia Federal, em nova fase da Operação Sem Desconto. Ela investiga o esquema de descontos indevidos nos benefícios pagos pelo órgão.
A apuração aponta que ele recebia R$ 250 mil mensais oriundos da operação ilegal quando comandava o órgão.
**CABEÇAS ENCOMENDADAS**
Algumas demissões, um balanço fraco, um pedido público de calma mais ou menos assim iniciam os contratempos em grandes empresas. Logo, começam a aparecer dívidas altas, planos de reestruturação, recuperações judiciais e a crise está deflagrada.
Não que os problemas dos Correios fossem novidade, mas, nos últimos dias, a confusão ficou mais evidente.
ENCOMENDA NA RUA
A estatal quer desligar pelo menos 10 mil empregados por meio de um PDV (Plano de Demissão Voluntária), a ser lançado como parte do plano de reestruturação das atividades.
A meta exata do plano não foi fechada, mas o patamar de 10 mil funcionários é a baliza mínima.
Hoje, os Correios empregam cerca de 85 mil pessoas.
O gasto com pessoal representa 72% dos custos da empresa.
De cabeça para baixo. A companhia enfrenta uma crise financeira desde 2022. Ela deve fechar 2025 com um rombo de R$ 10 bilhões no caixa. Sem a previsão de novos recursos, a dívida pode chegar a R$ 20 bilhões em 2026.
COLETE SALVA-VIDAS
Um plano de reestruturação está sendo elaborado. A Folha revelou que os Correios planejam fatiar o empréstimo de R$ 20 bilhões para atrair mais bancos e instituições credoras. Otimizar as operações (leia-se, demitir) também é uma tentativa de tornar o investimento mais atrativo.
As mudanças incluem medidas como venda de imóveis, reformulação do plano de saúde, reestruturação de cargos e salários e flexibilização da jornada de trabalho, para intensificar entregas nos finais de semana.
O compromisso será testado na hora do vamos ver: quando as medidas gerarem descontentamento entre os funcionários e a pressão popular sobre a estatal aumentar.
**VALE TUDO (NO DELIVERY)?**
As estações mudam, o tempo passa, mas a guerra do delivery continua. Desta vez, os envolvidos são o iFood, a 99Food e empresas que tinham convênio com a entregadora vermelha.
Relembrando A 99Food atuou no Brasil entre 2019 e 2023, até encerrar suas atividades. Em agosto de 2025, o delivery voltou a operar no país, depois de um investimento gigantesco realizado pela controladora da 99, a chinesa Didi.
RELAÇÃO MONOGÂMICA.
Empresários relatam que seu faturamento caiu depois de solicitarem a quebra do acordo de exclusividade com o iFood.
O aplicativo oferece um modelo de contrato para os restaurantes no qual a plataforma fica responsável por toda a operação de delivery, como localizar o entregador, fazer a entrega e processar o pagamento.
Porém, a taxa deste serviço é alta, e para reduzi-la o iFood pede que os restaurantes não estejam em nenhuma outra plataforma.
NÃO SOU EU, É VOCÊ.
Entre isenção de taxas de serviço e a ambição de ampliar sua presença online, donos de restaurantes optaram por finalizar o contrato de exclusividade com a plataforma e expandir seus serviços para a 99Food.
↳ O resultado? Operações foram encerradas no aplicativo, restaurantes foram impedidos de participar de ações promocionais e até uma multa milionária foi aplicada.
Empresários acreditam estar sofrendo com retaliações por parte do iFood, que tenta conter o avanço de sua mais nova concorrente.
CASO ANTIGO
Além do iFood e da 99, a Keeta e o Rappi, aplicativos do setor, também trocam acusações e até ações judiciais:
Dois ex-funcionários do iFood foram alvos de busca e apreensão sob suspeita de repassar informações para a Keeta, app de delivery da chinesa Meituan;
A Justiça derrubou uma cláusula de exclusividade estabelecida pela 99Food a pedido da Keeta.
**PARA LER E VER**
Assalto à Brasileira
Domingos Pellegrini. Editora Faria e Silva. 168 páginas.
Imagine a cena: o ano é 1987. Você é um jornalista que acabou de ser demitido e vai a uma agência bancária sacar a rescisão que o seu ex-empregador te deve.
Enquanto espera, se vê no meio de um dos maiores assaltos a banco da história do Brasil. No Banestado de Londrina, sete homens armados fizeram 300 reféns.
O autor Domingos Pellegrini relata o crime que expôs contradições do Brasil de meados da década de 1980, afundado na crise inflacionária.
O livro tem ritmo de cinema, relatando minuto a minuto a invasão, cerco policial, negociação e liberação dos reféns tanto que virou filme. O longa Assalto à brasileira está previsto para estrear em 2026 e foi apresentado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro.
Nele, Murilo Benício é Paulo, o jornalista, enquanto Christian Malheiros e Robson Nunes são Moreno e Barba, líderes do assalto.
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Não engoliram. Os funcionários do Nubank publicaram uma carta-manifesto contra a mudança do modelo de trabalho remoto para o híbrido, após 14 demissões por justa causa.
Toma lá, dá cá. Os Estados Unidos retiraram US$ 870 milhões de reservas do FMI (Fundo Monetário Internacional) e a Argentina recebeu uma quantia semelhante do país.
Passear perdeu a graça? A maioria das lojas do Bom Retiro, reduto comercial da capital paulista, está se rendendo às vendas online, segundo Censo da região.
Calma lá. A OpenAI, que gerencia o ChatGPT, tentou barrar a entrega de 20 milhões de conversas no chatbot à Justiça dos EUA
ASSUNTOS: Economia