SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pandemia do novo coronavírus agravou um problema que, há alguns anos, vem prejudicando o atendimento nas agências do INSS: a falta de pessoal. No estado de São Paulo, há 533 servidores do órgão -17% do total de 3.145 funcionários- no grupo de risco para a Covid-19 que estão trabalhando de casa. Na capital paulista, esse índice sobe para 20% -171 dos 871 trabalhadores estão realizando suas funções de forma remota. Com força de trabalho reduzida, o órgão responsável por pagar os benefícios da Previdência resolveu manter fechadas 70 agências no estado, o que significa que 29% das 239 unidades em São Paulo não estão abertas ao público. Na capital, 5 dos 25 postos estão fechados. Moradores de bairros ou cidades sem atendimento presencial podem agendar o comparecimento em outras unidades, mas a recomendação do instituto é para utilização do atendimento a distância. "A maior parte dos serviços está disponível pelos canais remotos, que é o telefone 135 e o [site e aplicativo] Meu INSS", diz Anderson Borges, chefe da divisão de benefícios do INSS no estado de São Paulo. Antes mesmo da pandemia, a ampliação dos canais remotos já era a principal aposta do instituto para tentar suprir a falta de funcionários nas agências, situação que vem se agravando pelo crescimento dos pedidos de aposentadoria de servidores sem a contratação de novos profissionais. Em 2019, o número de funcionários do INSS que se aposentaram em São Paulo chegou a 1.071, uma alta de 125% em relação aos 475 aposentados de 2018. "O INSS conseguiu se adaptar para que os servidores possam, mesmo trabalhando em casa, concluir a análise de pedidos de benefícios, sem prejuízo ao serviço", diz Borges. "Mas o atendimento presencial é inviável em unidades em que a maioria dos funcionários do setor está no grupo de risco."
