No comunicado da decisão, o Copom disse que agora é necessário ter cautela e sinalizou que não deve cortar mais os juros neste ano. "Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária", diz a instituição.
No documento, o BC se mostrou mais preocupado com a inflação em 2021, ano em que a meta cairá dos atuais 4% para 3,75% ao ano. A projeção de inflação da instituição está em torno 3,5% para 2020 e 3,7% para 2021. Esse cenário considera a projeção de mercado de juros em 4,25% até o final de 2020 e aumento da taxa básica para até 6% ao ano em 2021, além de uma taxa de câmbio constante a R$ 4,25.
Esse foi o quinto corte anunciado na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Desta vez, no entanto, a magnitude da redução foi menor: 0,25 ponto percentual, após quatro cortes de 0,50 ponto percentual realizados desde julho do ano passado.
Desde dezembro de 2017 os juros vêm renovando as mínimas históricas. Por isso, a Selic está novamente no menor patamar desde que passou a ser utilizada como instrumento de política monetária, em 1999.
O corte ocorre em um momento de recuperação ainda lenta da economia brasileira, reforçada pelas incertezas trazidas pelo surto do coronavírus a partir da China, e de expectativa de queda da inflação, após a alta registrada no final de 2019 por causa do preço da carne.
Contribui ainda o cenário de taxas de juros baixas em praticamente todas as economias relevantes, por conta do fraco desempenho da economia mundial.
No comunicado, o BC diz que os dados de atividade econômica divulgados desde o último Copom indicam a continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira.
No cenário externo, segundo a instituição, apesar do recente aumento de incerteza, os juros baixos nas principais economias ainda têm produzido ambiente relativamente favorável para economias emergentes.
A instituição também cita a defasagem do efeito dos cortes de juros recentes sobre a atividade, o aumento da potência da política monetária decorrente das transformações na intermediação financeira e no mercado de crédito e de capitais.
Os riscos de deterioração do cenário externo para economias emergentes e a eventual frustração em relação à continuidade das reformas na economia brasileira também são lembrados.
O ciclo atual de corte de juros começou em julho, quando a taxa estava em 6,50% ao ano, logo após a aprovação da reforma da Previdência pela Câmara. O BC tem condicionado a redução dos juros ao andamento das reformas.
A instituição tem afirmado ainda que várias mudanças no sistema financeiro, como a redução dos juros subsidiados e o surgimento de fintechs, gerou incertezas sobre a potência da política monetária, ou seja, o impacto da redução dos juros sobre a atividade.
Com o corte da Selic, o Brasil está agora com uma taxa de juros real de 0,91% ao ano. Essa é a diferença entre a o juro de 4,25% ao ano e a projeção de inflação para os próximos 12 meses.
De acordo com o boletim Focus, o mercado prevê IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,4% para 2020.
Apesar de a taxa estar na sua mínima histórica, o ICC (Indicador de Custo do Crédito) do BC mostra que a redução ainda não chegou totalmente a consumidores e empresas. Enquanto a Selic caiu 2,25 pontos percentuais desde julho, a taxa média de juros das operações contratadas em dezembro atingiu 23,4% ao ano, diminuição de 0,2 ponto no ano.
Nas operações com pessoas físicas, a taxa média estava em 47,3% ao ano. No crédito às empresas, atingiu 16,5% ao ano.
A Selic chegou a 7,25% em 2012, no governo Dilma Rousseff, mas voltou a subir durante a gestão da petista. No governo Michel Temer, os juros atingiram a mínima de 6,50% ano.
