BRASÍLIA - As contas públicas encerraram agosto com um rombo de R$ 9,53 bilhões. Os dados, divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira, concentram o resultado do chamado setor público consolidado, formado pelo governo central, estados, municípios e estatais. Apesar de um déficit, o número para o mês ficou bem abaixo do registrado em agosto de 2016, quando o rombo mensal foi de R$ 22,3 bilhões.
No acumulado do ano, o déficit já soma R$ 60,85 bilhões. Este é o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 2001.
O governo revisou a meta fiscal para este ano e espera encerrar 2017 com um rombo de R$ 163,1 bilhões nas contas. Antes da mudança, aprovada pelo Congresso Nacional, a previsão era de um déficit de R$ 143,1 bilhões. No acumulado em 12 meses, o setor público acumula um resultado negativo de R$ 157,78 bilhões ou 2,44% do Produto Interno Bruto (PIB).
O governo central, formado por BC, Previdência Social e Tesouro Nacional, teve um déficit de R$ 9,9 bilhões no mês e de R$ 78,65 bilhões no ano. Já os governos regionais apresentaram um superávit de R$ 498 milhões no mês e de R$ 16,84 bilhões nos primeiros oito meses do ano. Já as empresas estatais tiveram um déficit de R$ 111 milhões em agosto e um resultado positivo de R$ 955 milhões no ano.
Na divisão regional, todos as cinco regiões do país tiveram superávits primários no mês. O Rio de Janeiro foi o estado com o pior resultado para as contas públicas no país. O déficit do governo fluminense foi de R$ 4,39 bilhões .
Em seguida ao Rio está Minas Gerais, com resultado negativo de 1,88 bilhão e o Rio Grande do Sul, com déficit de R$ 1,04 bilhão. O estado de São Paulo teve o melhor desempenho, um superávit de R$ 9,46 bilhões.
A dívida bruta encerrou agosto em R$ 4,76 trilhões e atingiu o pior patamar da série histórica, 73,7% do Produto Interno Bruto (PIB). No fim do ano passado, a dívida bruta estava em 69,9% do PIB.
O chefe do departamento de pesquisas do BC, Fernando Rocha, explica que o órgão estima uma leve redução da dívida bruta em setembro, para 73,6% do PIB. Isso porque está nas previsões da autoridade monetária uma devolução antecipada de R$ 33 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Tesouro neste mês, o que impacta a dívida bruta.
— A dívida bruta é composta por passivos e não de ativos. Então, se há uma redução de passivos, há uma redução de dívida — explica.
As devoluções de recursos do BNDES ao Tesouro devem continuar a ocorrer até o fim do ano, de forma a totalizar R$ 50 bilhões até dezembro. Por conta disso, a perspectiva do BC para a dívida bruta no ano também caiu. Em junho, a previsão era de que esse indicador encerrasse 2017 em 77,5%. Agora, a estimativa é de que esse percentual fique em 76,2%.
Também contribuiu para esse efeito de diminuição da dívida bruta a perspectiva para o câmbio. Em junho, a previsão para o ano era de R$ 3,37. Agora, ela é de R$ 3,16, o que tem efeito sobre o indicador.



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