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Construção civil foi o setor que mais cortou vagas entre fevereiro e abril

RIO - O setor de construção foi o que mais cortou vagas no trimestre encerrado em abril. Na comparação com o ano passado, foram 646 mil postos perdidos, uma queda de 8,7%, para 6,7 milhões de trabalhadores. Já frente ao trimestre encerrado em janeiro, a queda foi de 4,1%, o que representa 291 mil pessoas a menos ocupadas no setor.

A indústria e o setor de alojamento e alimentação foram os únicos a registrarem aumento de postos de trabalho no trimestre encerrado em abril. No setor de alojamento e alimentação, a alta foi de 3% na comparação com o período encerrado em janeiro e de 12,1%, frente ao mesmo período do ano passado. Em abril, 5 milhões de pessoas trabalhavam neste setor. O aumento, segundo o IBGE, está associado à informalidade.

A agricultura perdeu 7,7% dos postos de trabalho, o equivalente a 730 mil pessoas a menos, alcançando a marca de 8,7 milhões de trabalhadores no setor. Em relação ao trimestre encerrado em janeiro, a queda foi de 2,4%, ou 218 mil pessoas.

Já o comércio, que engloba também serviços de reparação de veículos e é o setor com maior percentual de empregados, registrou perda de 1% dos postos, na comparação anual, para 17,2 milhões de pessoas. No trimestre, a queda foi de 2,6%, o que representa 451 mil pessoas a menos empregados no setor.

Na indústria, houve um aumento de 1,8% do número de empregados na comparação com janeiro, a primeira alta após dois anos de quedas consecutivas no setor. Mas, para Cimar Azeredo, os dados devem ser observados com cautela, principalmente diante da perspectiva de que os próximos dados reflitam efeitos da crise de incerteza gerada pela turbulência política.

— Isso pode ser sinal de que o mercado está demitindo menos. A procura, apesar de continuar crescendo, avança em uma intensidade menor, em função de efeitos externos, tanto macroeconômicos, como políticos. Só que a pesquisa é toda refletida no mês de abril. Mas você tem ainda o mês de maio, em que se tem notícias que podem afetar o cenário econômico e o mercado de trabalho. Os dados podem, com esses efeitos exógenos, trazer resultados novos influenciados por esses movimentos — destacou Azeredo.

Apesar da melhora da indústria, o setor ainda está em patamar muito abaixo do alcançado antes da recessão. Segundo o IBGE, 14,8% dos brasileiros empregados no Brasil estavam na indústria em 2012. Agora, esse percentual é de apenas 12,9%.

— A gente tem que ser bastante cauteloso com esse resultado e aguardar o segundo trimestre do ano e confrontar com o primeiro, para ver se esse crescimento da indústria é só um soluço ou parte de um movimento consolidado — destacou Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE.

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