ROMA - A Alitalia informou nesta terça-feira que seu Conselho de Administração decidiu formalmente pedir ao governo que a empresa aérea seja colocada em administração especial após trabalhadores rejeitarem o plano mais recente de resgate destinado a destravar o financiamento, informou a companhia em comunicado nesta terça-feira. Os acionistas votaram em unanimidade. É a segunda vez em dez anos que a companhia aérea italiana entra em processo de falência.
Na semana passada, a maioria dos trabalhadores votou contra um plano de reestruturação de € 2 bilhões que visava realizar concessões cortar vagas e salários, tornando impossível para a empresa garantir fundos necessários para manter as operações.
Com a medida, o Conselho de Administração “reconheceu a grave situação econômica e financeira da companhia”, disse a empresas na nota.
Uma vez sob administração especial, o governo terá que fornecer fundos provisionais para manter as operações e nomeará um ou vários supervisories que avaliarão se a Alitalia pode ser reestruturada, seja como uma empresa autônoma ou por meio de venda total ou parcial, ou se deve ser liquidada.
Os administradores assumirão o controle do negócio e apresentaram uma nova estratégia que pode implicar em venda de ativos, redução de operações e corte de empregos com o objetivo de tornar a aérea sustentável dentro de dois anos. Se a mudança não obtiver êxito, os administradores podem pedir a liquidação da Alitalia.
A empresa, cujos principais acionistas são a Etihad Airways, de Abu Dhabi, e banco italianos, afirmou na semana passada que havia esgotado todas as opções para se manter solvente depois que os trabalhadores recusaram o plano de recapitalização. A proposta previa a extinção de 1,6 mil postos de trabalho. A empresa, que tem um quadro de 12,5 mil funcionários, enfrenta dificuldades desde a primeira quebra em 2008.
O ministro das Finanças da Itália, Pier Carlo Padoan, afirmou na semana passada que o governo não injetará mais recursos para ampliar o capital da companhia aérea. A Alitalia é uma “empresa privada”, disse a autoridade. Já o titular do Desenvolvimento Econômico, Carlo Calenda, disse que espera que a empresa possa ser vendida “como um todo, não em pedaços”.
O anos de baixo rendimento da Alitalia reduziram sua posição tanto no mercado doméstico quando no setor de aviação. A participação da companhia no mercado italiano caiu a 18% em 2015, ante fatia de 23% em 2007, segundo análise de Ugo Arrigo e Andrea Giuricin, da Universidade Bicocca de Milão. A Ryanair, maior companhia aérea de baixo custo (“”)da Europa, ocupa o primeiro lugar no mercado, com cota de 23%, frente a 12% há dez anos.
A empresa italiana registrou perda líquida de € 199 milhões em 2015, o último ano em que divulgou balanço financeiro. A companhia havia perdido quase € 3 bilhões desde que saiu da falência em 2009, segundo o estudo. Os administradores especiais terão 180 dias para elaborar um novo plano, com possibilidade ampliação de 90 dias. O processo, disponível para empresas insolventes de grande porte, tem como objetivo proteger os ativos e trabalhadores de uma empresa mediante reestruturação.

