SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem a produção de SAF (combustível sustentável de aviação) em escala comercial no Brasil, as companhias aéreas locais teriam de importar o produto de fornecedores internacionais para começar o uso em 2027, para atender à nova regulação, o que pode encarecer as passagens, segundo o CEO da Iberia, Marco Sansavini.
"Isso seria uma pena, porque é uma oportunidade para o Brasil," diz o executivo. "Se você tem muita energia renovável, como aquelas provenientes do sol ou do vento, dá para produzir SAF suficiente [para a operação das companhias]. O Brasil pode ser, no futuro, um produtor de SAF, mas isso tem que mudar em termos de criação de incentivos para que as empresas possam produzir aqui", diz o executivo.
Segundo Sansavini, sem estímulo à produção e à industrialização do combustível sustentável, o preço da passagem deve subir, se os governos forçarem as companhias a usarem SAF sem oferta adequada ao mercado. "É absolutamente necessário estimular e investir na produção do SAF, se você quiser evitar que isso implique um aumento no preço dos tíquetes."
O SAF polui até 80% menos do que o querosene tradicionalmente usado pelas companhias aéreas (o QAV). No entanto, é de três a quatro vezes mais caro do que o QAV e possui volumes insuficientes para dar conta de toda a demanda brasileira.
A Lei do Combustível do Futuro determina que os operadores aéreos serão obrigados a reduzir as emissões de GEE (gases do efeito estufa) nos voos domésticos a partir de 2027. Isso deverá ser feito com o uso do SAF. As metas começam com 1% de redução e crescem gradativamente até atingir 10% em 2037. A fiscalização será feita pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
No entanto, a lei prevê que o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), ligado ao Ministério de Minas e Energia, poderá alterar os percentuais de redução das emissões de GEE por motivo de interesse público.
Segundo a Anac, caso não haja produção de SAF suficiente para a operação das companhias, a decisão de dispensa das obrigações previstas na lei deverá ser feita pelo CNPE. "Caso o órgão decida por isso, a Anac poderá não aplicar as multas, a partir da determinação dada pelo conselho", escreve a agência em nota à reportagem.
A Iberia vem utilizando SAF em suas operações regulares desde 2022. De acordo com Sansavini, além do combustível sustentável, a empresa faz investimentos em tecnologia e frota como parte dos esforços para zerar as emissões de carbono até 2050.
Neste ano a empresa anunciou o Plano de Voo 2030, que prevê investimento de 6 bilhões de euros e expansão da frota de voos de longa distância de 45 para cerca de 70 aeronaves.
A Iberia foi a primeira companhia aérea a operar o Airbus A321XLR. Na configuração escolhida pela companhia espanhola, a aeronave tem 182 lugares e alcance de até 7.500 km.
O avião é a nova aposta da fabricante europeia para operações ponto a ponto, sem escalas. Apesar de fazer voos de longo alcance, o A321XLR é uma aeronave narrowbody (fuselagem estreita, com apenas um corredor). Segundo Sansavini, isso permite que a Iberia abra novos destinos que não têm demanda suficiente para operar com grandes aviões.
É o caso das novas rotas para Fortaleza e Recife, anunciadas pela companhia neste ano, que utilizarão o novo avião. O trajeto para Recife terá início em 13 de dezembro, com três frequências semanais. Já a rota para Fortaleza será inaugurada em 19 de janeiro, também com três voos por semana.
A empresa já opera voos que ligam a capital espanhola ao Rio de Janeiro e a São Paulo.
A Iberia vai aumentar em 25% o número de assentos disponibilizados em voos para o Brasil no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, conforme anúncio feito em novembro.
A companhia aérea espanhola também inaugurou neste mês em São Paulo o Espaço Iberia. Ele fica na esquina da rua Oscar Freire com a Haddock Lobo, onde funcionava a loja conceito da varejista Riachuelo, e oferece ao público uma ideia de como é a experiência de voar com a empresa.
Sansavini diz que o mercado brasileiro é um dos que mais cresce -e também um dos mais sofisticados, afirma. O Brasil teve o maior aumento de capacidade em toda a rede de longo curso da Iberia em 2025: foram oferecidos 591 mil assentos, o que representa um crescimento de 27% em relação ao ano anterior.
"Vemos, em particular, que a nossa [classe] premium economy está funcionando muito bem no mercado brasileiro."
RAIO-X | IBERIA
Fundação: 1927
Primeiro voo para o Brasil: 1950 (Madri - Rio de Janeiro)
Destinos no Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife
Número de passageiros transportados entre Brasil e Europa pela companhia: 12 mil por semana
Principais concorrentes: Air Europa, Latam e Avianca

