DAVOS (Suíça) - O presidente Michel Temer começou sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, com um discurso no qual afirmou que “o Brasil está de volta” ao cenário internacional como um país mais aberto e com mais oportunidades de investimentos, comércio e negócios. Para uma plateia formada por investidores, banqueiros e empresários, ele defendeu a agenda de reformas, ressaltando que está empenhado na aprovação das mudanças na Previdência. Ele assegurou que o quadro eleitoral não afetará esse trabalho.
Sem fazer qualquer referência ao julgamento do recurso do ex-presidente Lula nesta quarta-feira – que pode tornar Lula inelegível e afetar a disputa eleitoral – Temer disse que os brasileiros que vão às urnas este ano sabem que responsabilidade dá resultados. Na plateia de Temer também estavam dois presidenciáveis, o prefeito de São Paulo, João Doria, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
— Sei que muitos podem estar se perguntando se continuaremos nesse caminho, se nossa jornada não estaria ameaçada pelas eleições que se avizinham no Brasil. Permitam-me dizer-lhes, sem rodeios e com convicção: completaremos nossa jornada. O Brasil que vai às urnas em outubro sabe que a responsabilidade dá resultados — disse o presidente.
A sessão começou com 1/3 dos lugares preenchidos, mas foi enchendo durante o discurso de Temer. Quando ele terminou, metade das cadeiras estavam ocupadas. Mesmo assim, o discurso teve uma recepção morna e acabou com poucos aplausos.
Ele disse ainda que cinco palavras ajudam a sintetizar a agenda econômica de seu governo: responsabilidade, diálogo, eficiência, racionalidade e abertura. Segundo Temer, elas expressam princípios e objetivos têm guiado seu trabalho. Apesar das dificuldades do governo para conseguir aprovar a reforma da Previdência, cuja apreciação na Câmara teve que ser adiada para 2018 por falta de votos, o presidente disse que suas reformas têm conseguido maioria sólida no Legislativo. Ele garantiu que trabalhará dia e noite pela Previdência:
— Nosso próximo passo é consertar a Previdência, tarefa em que estamos muito empenhados. Cada vez mais, a população brasileira percebe que o sistema atual é injusto e insustentável. Vamos batalhar, dia e noite, voto a voto, para aprovar a proposta que está no Congresso. Nossas reformas, aliás, têm sido aprovadas com maiorias muito sólidas no Parlamento.
Ele ressaltou ainda os indicadores positivos da economia, lembrando que e que inflação, juros e risco país estão em queda. Ao falar sobre responsabilidade, ele afirmou que o populismo levou o Brasil a uma grave crise fiscal e que o país voltou ao caminho certo com medidas como a criação de um teto para os gastos públicos. Segundo Temer, o equilíbrio das contas públicas é o que cria espaço para a condução de políticas sociais.
— São duas faces de uma mesma moeda: sem responsabilidade fiscal, a responsabilidade social é mero discurso vazio. (…) Apenas com as contas em ordem temos crescimento e empregos; apenas com as contas em ordem temos o espaço orçamentário para políticas sociais que são indispensáveis em um país ainda desigual como o nosso — disse ele.
O presidente afirmou que seu governo restaurou um diálogo com o Congresso que lhe permitiu ter apoio para reformas:
— Para cumprir a missão que nos cabe, é preciso saber ouvir, é preciso saber persuadir, é preciso saber agregar, sem intransigências. Assim temos conquistado o apoio político necessário para as mudanças que estamos promovendo.
Ele aproveitou ainda para defender o fim do protecionismo, lembrando que esse tipo de conduta não é solução para problemas internos, e destacou que o governo está trabalhando para integrar o Brasil na economia global. Ele citou como exemplos a expectativa de fechamento breve de um acordo União Europeia-Mercosul, o pedido de ingresso do Brasil na OCDE, e a abertura de novas frentes de negociações comerciais com Canadá, Coreia e Singapura.
O presidente concluiu seu discurso pedindo: “Invistam no Brasil. Não se arrependerão”.
* Enviada especial à Suíça

