SÃO PAULO - Os mercados financeiros foram na contramão do exterior nessa quarta-feira. As declarações do presidente do Banco Central (BC) fizeram o dólar recuar 0,76% ante o real, fechando a R$ 3,387. Já o Ibovespa, principal índice de ações local, subiu 0,87%, aos 85.245 pontos, em um dia que o novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, sinalizou que o compromisso com o equilíbrio fiscal será mantido. Tudo isso ajudou a mitigar as tensões entre Estados Unidos e Rússia no campo geopolítico.
Logo pela manhã, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, ressaltou que o país “tem reservas suficientes para intervir no mercado se necessário”, o que foi interpretado como um sinal de que se o dólar subir muito, a autoridade monetária vai intervir. Além disso, no final da manhã, o rublo começou a se recuperar, ajudando outras moedas de países emergentes.
Além da declaração do presidente do Banco Central, contribui também para a queda, em especial desde o final da manhã, a recuperação do rublo, que fez com que todas as moedas de emergentes melhorassem seu desempenho em relação ao dólar.
— O rublo passou a apreciar e ajudou na recuperação de outras emergentes. O petróleo também opera com fortes ganhos, o que ajuda no desempenho das moedas de país produtores. Internamente, a fala de Ilan mostrou que o BC vai agir se o dólar aqui se descolar muito do movimento externo — avaliou Cleber Alessie, operador da corretora H.Commcor.
Pela manhã, Ilan afirmou que o Brasil tem colchões para enfrentar a recente volatilidade nos mercados financeiros, como elevadas reservas internacionais e estoque mais baixo de swaps cambiais tradicionais — operações equivalentes à venda futura de dólares e que servem para conter a valorização da moeda americana.
— Temos reservas, déficit em conta corrente é bem financiado por investimento estrangeiro direto. (...) Reduzimos o estoque de swaps para momentos como o que temos hoje — disse Ilan. — Temos mais colchões do que tínhamos no passado.
Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio, lembrou também que o fato da inflação nos Estados Unidos ter vindo abaixo do esperado, contribuiu para o dólar se enfraquecer.
— O dólar abriu em alta, mas inverteu o sinal com a divulgação da inflação americana, que veio abaixo das previsões. Ajudou também o tom mais complacente por parte da China, que defendeu o livre comércio - disse.
Esses fatores mitigaram no mercado de câmbio a tensão entre Estados Unidos e Rússia por causa da Síria. hoje reagindo ao tuíte de Donald Trump pedindo para que a Rússia se preparasse para ataque dos EUA contra a Síria.
As Bolsas europeias e americanas operaram no vermelho, com uma maior demanda por investimentos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro americano e ouro. O Dow Jones recou 0,90% e o S&P 500 teve desvalorização de 0,555. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50, referência para as ações da zona do euro, caiu 0,55%. A Bolsa de Londres teve leve recuo de 0,13% e a de Frankfurt, 0,83%.
O Brasil foi na contramão, com o Ibovespa em alta. As principais ações fecharam com ganhos. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras subiram 1,86%, cotadas a R$ 21,80, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) avançaram 2,31%, a R$ 24,35. Os papéis da estatal Foram beneficiados pelo aumento do petróleo no mercado internacional, um dos efeitos do temor de ataques à Siria. O Brent subia 1,20%, a US$ 71,89 o barril, próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
O setor bancário, de maior peso na composição do Ibovespa, também ficaram em terreno positivo. As preferenciais do Itaú Unbianco e do Bradesco subiram, respectivamente, 1,64% e 2,34%. Os papéis do Banco do Brasil também operam em alta, com valorização de 0,82%.
Ainda entre as altas, os papéis da Embraer subiram 3,97%. A fabricante de aviões brasileira negocia um acordo com a americana Boeing. A maior alta foi da BR Foods, com valorização de 5,27%. A empresa prepara mudanças em seu Conselho de Administração.




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