SÃO PAULO - Impulsionada por um cenário externo mais positivo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta nesta quinta-feira, com ganho de 0,53%, aos 66.190 pontos. Essa é a maior pontuação desde março de 2012. Já o dólar comercial também acompanhou o exterior e fechou com valorização frente ao frente. Ao final dos negócios, a divisa americana era cotada a R$ 3,182, valorização de 0,41%.
Durante todo o pregão os investidores estiveram mais propensos a uma tomada maior de risco, o que contribui para que a Bolsa siga em uma trajetória de alta. Na avaliação de André Rosenblit, diretor do Santander, isso ocorre porque há um excesso de liquidez no mercado internacional e os gestores querem colocar uma parcela desses recursos em locais com maior potencial de ganho.
— O Brasil é a bolsa da vez na América Latina. Há uma série de reformas sendo encaminhadas e o outro ponto positivo é a queda dos juros. Tudo isso nos deixa otimistas com a Bolsa no Brasil — afirmou.
Na quarta-feira, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York fechou acima dos 20 mil pontos pela primeira vez na história, com a expectativa de medidas de estímulo ao crescimento por parte do governo de Donald Trump. A Bolsa não acompanhou esse movimento por estar fechada devido a feriado na capital e por isso o desempenho do Ibovespa é também reflexo de uma correção.
Para Rosenblit, o maior risco das políticas de Trump, que são expansionistas, é ele errar na dose e isso causar uma pressão inflacionária muito grande. Para os países emergentes, isso seria ruim porque uma aceleração na alta dos juros americanos tende a retirar recursos desses mercados.
Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, lembra que essa trajetória vem desde o final do ano passado, com a aprovação da lei que limita o crescimento das despesas públicas.
— Estamos em um cenário um pouco melhor desde o final do ano passado. Além disso, algumas corretoras fizeram recomendações de compra para alguns papéis, como os do setor bancário. Essa expectativa de melhor e a ausência de notícias negativas alimentam esse processo de alta — explicou, que ainda vê como risco o cenário político interno, com os desdobramentos da Lava Jato.
A alta desta quinta-feira foi impulsionada pelo setor bancário, o de maior peso no Ibovespa. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) do Itaú Unibanco e do Bradesco, subiram, respectivamente, 1,35% e 2,24%. No caso do Banco do Brasil, a alta foi de 6,31%, com a melhora de recomendação da instituiçao por parte do Credit Suisse. Ontem, sem negócios por aqui, os recibos de ações de empresas brasileiras negociados na Bolsa de Nova York, os ADRs (american depositary receipts), operaram em alta. Os do Itau avançaram 2,1% e os do Bradesco tiveram alta de 2,56%.
Os analistas da Yield Capital lembraram ainda que as medidas de simplificação no recolhimento dos compulsórios, anunciadas pelo Banco Central na noite de terça-feira, poderá reduzir no médio e longo prazo os custos administrativos dos bancos.
No caso da Petrobras, as preferenciais fecharam em queda de 1,49%, cotadas a R$ 15,80, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) tiveram recuo de 1,91%, a R$ 17,39, mesmo com a alta do petróleo no mercado internacional - o do tipo Brent subia 2,12%, a US$ 56,25, próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
Os papéis da Vale, que acumulam ganhos de mais de 30% no ano, também perderam força no final do pregão. Os PNs recuraram 1,54% e os ONs, 1,55%.
Os principais índices dos mercados acionários locais também operam em alta. O Dow Jones tem leve alta de 0,14% nesta quinta-feira e o S&P 500 está praticamente estável (-0,03%). Na Europa, o DAX, de Frankfurt, subiu 0,36%. O FTSE 100, de Londres, teve leve alta de 0,04%. Já o CAC 40, da Bolsa de Paris caiu 0,21%.
O dólar fechou em alta e na máxima se aproximou dos R$ 3,30 - a maior cotação durante o pregão foi de R$ 3,196.
Apesar da alta, a avaliação é que a tendência para o dólar americano é de queda ante o real, devido ao fluxo de recursos que deve vir para o Brasil no curto prazo. Na avaliação de Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio, a alta desta quinta-feira é mais um movimento de ajuste.
— Aqui a tendência de curto prazo ainda não mudou e continua sendo de queda, na esteira de novas captações externas de empresas no exterior e também de IPOs que devem acontecer no início de fevereiro — afirmou.
O dólar ganha da maior parte das moedas de emergentes. Com isso, o “dollar index” registrava variação positiva de 0,38% próximo ao horário de encerramentos dos negócios no Brasil.
A preocupação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segue no radar. Por enquanto, a avaliação que ele vem anunciando as medidas prometidas em campanha e que no curto prazo podem estimular a economia. Uma aceleração dos gastos, poderia, no entanto, causar inflação e fazer com que o Federal Rerserve (Fed, o bc americano) acelere a alta dos juros americanos, o que prejudica o fluxo de recursos para países emergentes.

