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Com disparada de minério, Vale sobe 3,7% e puxa a Bovespa; dólar a R$ 3,223

RIO - A disparada do minério de ferro na China — a commodity avançou 3,86% hoje — dá força às ações da mineradora brasileira Vale, que por sua vez puxa a valorização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O Ibovespa, principal índice do pregão, avança 0,46%, a 63.952 pontos, num dia de poucas referências no mercado internacional, já que é feriado de Martin Luther King nos EUA e os mercados não operam por lá. Com a falta de notícias do exterior e investidores  aguardando a posse do novo presidente dos EUA, Donald Trump, na sexta-feira, o dólar opera com leve alta no Brasil, de 0,15%, vendido a R$ 3,223.

— Hoje é um dia morno, com feriado nos EUA e vencimento de opções na Bovespa, o que acaba deixando o mercado com pouca referência — diz — Ferman, economista da Elite corretora.

No mercado de câmbio, as cotações são pressionadas pela expectativa para a posse de Donald Trump, na sexta-feira. Os temores são de que o republicano implante uma política econômica inflacionária, o que pressionaria o Federal Reserve (Fed, o BC americano) a aumentar ainda mais os juros e atrair para a maior economia do mundo recursos hoje aplicados em outras praças, como a brasileira.Apesar da perspectiva de valorização da moeda americana, o Banco Central não deu indicações de que entrará no minfoercado. A última intervenção aconteceu no dia 13 de dezembro. 

— Se houver uma pressão muito grande, pode ser que o BC mude a estratégia e volte com as rolagens (de contratos de swap) — diz Jaime Ferreira da Rocha Junior, diretor de câmbio da corretora Intercam.

Enquanto a expectativa pelas direções de Trump pressionam o dólar para cima, porém, a expectativa por ingresso de fluxo financeiro no futuro leva as cotações para a direção contrária. No ano, o dólar acumula valorização de 0,89%. Hoje, os investidores aproveitam para embolsar lucros, após a alta de 1,47% na sexta-feira.

 

No mercado internacional, o dólar tem alta: o Dollar Index Spot, que compara a moeda americana com uma cesta de dez moedas, avança 0,43%. Os mercado também aguardam o pronunciamento, amanhã, da primeira-ministra britânica, Theresa May, em que ela poderá dar indicações da estratégia de saída de seu país da União Europeia. A expectativa é de que ela acene com uma ruptura abrupta. Para os mercados, o temor é de que isso afete as exportações britânicas e expulse investimento estrangeiro do país. A libra chegou nesta sessão ao nível mais baixo desde outubro passado ante o dólar diante de temores desse cenário.

No Brasil, os investidores avaliam as O corte nos juros melhorou os humores dos agentes de mercado, e, nos últimos cinco dias, o CDS (credit default swaps, espécie de seguero contra calotes) caíram 7,7 pontos.

Além disso, estão na expectativa de um novo pacote de estímulos, a fim de diminuir a desburocratização para facilitar a abertura e fechamento de empresas, que deve ser anunciado pelo governo.

Na Bovespa, as ações da Petrobras ganham 0,54% nas ON (ordinárias, com voto) e operam estáveis nas preferenciais (PN, sem direito a voto).

Vale sobe 3,7% nas ações PN, favorecida pelo avanço do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, impulsionada por rumores de que o governo chinês vai  fechar algumas mineradoras com o intuito de reduzir o excesso de oferta no mercado. Bradespar, acionista da mineradora brasileira, tem a maior valorização do pregão, de 4,8%. Ainda entre as cíclicas, Gerdau Metalúrgica, que tem um braço de mineração, sobe 3,9%. Usiminas sobe 4%.

No setor de construção, que deve se beneficiar da queda dos juros, o dia é de valorização. Notícias sobre a demanda por terrenos em São Paulo ajudaram a animar os investidores. Cyrela ganha 3,6%; Gafisa sobe 2,9%. PDG dispara 14%. Rossi, 15,5%. Duratex, que produz painéis de madeira e louças e metais sanitários, sobe 5%.

Banco do Brasil sobe 0,45%, com os agentes de mercado na expectativa de um anúncio, pelo Planalto, de uma linha de crédito recorde, de R$ 12 bilhões, para o setor agrícola.

A Prumo Logística avançaram mais de 7% após um de seus controladores aceitar elevar para R$ 10,51 o preço para a oferta pública que vai tirar a empresa do Novo Mercado da BM&FBovespa, embora com condições.

Na Europa, as bolsas de Frankfurtu e Paris operam no vermelho. O alemão Dax cai 0,57% e o francês CAC 40 perde 0,65%. O FTSE 100, de Londres, opera estável. 

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