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Com disparada da Bolsa em janeiro, Previ zera déficit que mantinha desde 2015

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RIO - A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil e o maior do país, conseguiu acabar em janeiro com o déficit que vinha sofrendo desde 2015 em seu principal plano, informou nesta sexta-feira a fundação. O Plano 1, o mais antigo e de benefício definido, obteve rentabilidade de 4% no primeiro mês de 2018, gerando um ganho de R$ 5,62 bilhões e proporcionando um superávit de R$ 1,33 bilhões. O fundo foi beneficiado pelo bom momento da Bolsa naquele mês, que permitiu ganho de 7,24% na carteira de ações, que respondem por 48% dos R$ 168 bilhões aplicados pelo plano.

O déficit da Previ começou em 2015, quando o Plano 1 obteve déficit de R$ 16,1 bilhões após superávit de R$ 12,5 bilhões no ano anterior. O déficit atuarial representa o quanto seria necessário para o fundo desembolsar se tivesse que pagar hoje todos os benefícios, atuais e futuros. O fundo de pensão atribuiu o problema à crise econômica, que desvalorizou os papéis da Bolsa (o índice de referência Ibovespa caiu 13,3%) e fez a inflação fechar a 10,67% no ano.

Apesar do déficit, os participantes da Previ não precisaram pagar contribuição extra para equacioná-lo. A Previ vinha usando os ganhos gerados pelo Plano 1 para reduzir o buraco. Em 2016, ele diminuíra para R$ 13,9 bilhões; em 2017, com o resultado positivo de R$ 9,6 bilhões e rentabilidade acumulada de 14,85%, reduziu-se a R$ 4,3 bi. O desempenho de janeiro, positivo em R$ 5,6 bilhões, o transformou em superávit.

Garantiu o bom resultado do plano a disparada das ações de Petrobras e Banco do Brasil, que subiram 26% e 24,7% em janeiro, respectivamente, e permitiram um ganho de R$ 2,75 bilhões para o plano. As duas foram destaques em um mês em que a Bolsa brasileira bateu recordes seguidos, acompanhando o desempenho dos seus pares no mercado internacional. O Ibovespa disparou 11,14% no mês e teve seu melhor janeiro em 12 anos.

Na ponta contrária, a BRF pesou R$ 106 milhões negativamente ao cair 3,42% na Bolsa em janeiro. Insatisfeita com os resultados da dona das marcas Sadia e Perdigão, a Previ, juntamente com o fundo de pensão da Petrobras (Petros), lidera o movimento de mudança na gestão da empresa.

Para o futuro, o plano do fundo é reduzir a participação de ações na sua carteira, dos atuais 47,9% para 30,8% em 2024. A Previ afirma já ter vendido R$ 10,4 bilhões em papéis recentemente, incluindo R$ 5,15 bilhões da venda de sua fatia da CPFL Energia em 2017. Enquanto reduz a renda variável, a Previ buscará aumentar o peso da renda fixa (título do governo e debêntures privadas, por exemplo) na sua carteira para quase 60% em 2024. Em janeiro, a renda fixa acumulou ganho de 1,38% para a Previ.

A Previ tem cerca de 200 mil participantes em seus dois planos e uma carteira de R$ 180,41 bilhões em investimentos.

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