SÃO PAULO - A atuação do Banco Central no mercado de câmbio contribuiu para a queda do dólar comercial nesta quinta-feira, na contramão do mercado global. A moeda americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,204, um recuo de 0,46% ante o real. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) viu seu índice de referência, o Ibovespa, cai 0,30%, aos 63.950 pontos.
Na avaliação de Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, o fluxo de recursos para o país e a volta do BC ao mercado contribuíram para essa queda. Na terça-feira, a autoridade monetária anunciou que faria a rolagem dos contratos de swap tradicional (que tem como efeito a venda de moeda no mercado futuro) com vencimento em 1º de fevereiro. Nos dois primeiros dias, foi feita uma oferta de 12 mil contratos. Hoje, a oferta subiu para 15 mil (o equivalente a US$ 750 milhões).
— Ao aumentar a rolagem, o BC deve renovar 100% dos vencimentos do dia 1º de maio. Isso é um aumento de liquidez e favoreceu a queda. Mas nos próximos dias os movimentos estarão muito atrelados ao que acontecer nos Estados Unidos a partir da posse de Donald Trump, nesta sexta-feira — explicou.
Ao aumento o volume, o BC também conteve a volatilidade causada pelas declarações da presidente do Federal Reserve (Fed, o bc americano), Janet Yellen, ontem no final da tarde. Ela afirmou que demorar muito para subir os juros poderia ter como consequência “surpresas desagradáveis de inflação alta e instabilidade”. “O Banco Central está tentando conter a volatilidade com a fala de Yellen e a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, avaliou Guilherme França Esquelbek, analista da Correparti Corretora de Câmbio.
O movimento no Brasil foi na contramão do mercado internacional. No exterior, o “dollar index”, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, tinha alta de 0,39% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
Sem a divulgação de indicadores relevantes e à espera da posse de Trump, os investidores aproveitam para embolsar os lucros de ações que tiveram fortes ganhos nos últimos pregões.
— O mercado está parado. Todo mundo na expectativa em relação à posse de Trump e com alguns receios. De notícia hoje, só o minério de ferro que caiu 1% e contribui para a queda das ações da Vale — afirmou Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor.
Na Bolsa, os papéis mais negociados não tiveram força para subir. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras tiveram leve queda de 0,12%, cotados a R$ 15,77, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) recuaram 0,55%, a R$ 17,93.
Entre os bancos, que possuem o maior peso na composição do Ibovespa, as preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco fecharam com desvalorização de, respectivamente, 0,54% e 0,09%. Já o Banco do Brasil, que anunciou nesta quinta-feira o plano safra para o período de 2017/2018, teve leve alta de 0,10%.
Já as ações da Vale tiveram queda após a alta forte do pregão anterior. As preferenciais da mineradora caíram 2,54% e as ordinárias tiveram variação negativa de 1,99%.

