Início Economia CNI alerta para risco de desemprego e falta de água por causa de greve
Economia

CNI alerta para risco de desemprego e falta de água por causa de greve

BRASÍLIA — A Confederação Nacional da Indústria divulgou uma nota para criticar os efeitos da paralisação do país por causa da crise gerada pela greve dos caminhoneiros e para pedir que as autoridades encontrem uma solução imediata para o problema. Com o título, "o Brasil não pode continuar parado", o texto diz que o país está na iminência de problemas ainda mais graves do que os vistos até agora. A entidade alerta para a possibilidade de alta do desemprego e elenca outros riscos como, por exemplo, o comprometimento da entrega de produtos químicos para tratamento de água, o que compromete o abastecimento para uso humano.

Segundo a CNI, já foram sacrificadas 100 milhões de aves por causa da falta de ração. A medida, além de prejudicar o abastecimento de ovos e carne, causa grave risco à saúde pública e ao meio ambiente porque não há como enterrar as carcaças desses animais. Além disso, já foram jogados fora 300 milhões de litros de leite.

Outro aleta dado foi sobre o risco de ficar sem comunicação. Os grupos geradores, que suprem energia para as telecomunicações na ausência da energia elétrica, necessitam de diesel e podem parar de funcionar. E as equipes de manutenção enfrentam dificuldades para se deslocar.

"O Brasil está parado. Precisamos retornar à normalidade. O movimento dos caminhoneiros foi atendido nas suas demandas. É hora de deixar trabalhar quem quer trabalhar. É preciso, imediatamente, desbloquear vias de transporte e proteger aqueles que querem voltar a trafegar", afirma a confederação. "Estamos na iminência de problemas ainda mais graves do que vimos até agora. Não se trata apenas de distribuição de combustíveis".

Na nota, a entidade lembra que crianças estão fora das escolas e pessoas correm risco de morrer por falta de insumos nos hospitais. A CNI também diz que milhões de brasileiros não conseguem trabalhar. Ressalta que há 13,7 milhões de desempregados e que esse número deve piorar. E que a retomada do crescimento econômico, que já vinha lenta, pode demorar muito mais.

"Não é hora para movimentos oportunistas. Novas paralisações, neste momento, são inaceitáveis. Cada um precisa assumir a sua parte de responsabilidade para superar essa situação. A prioridade deve ser o reabastecimento imediato e aceleração da discussão sobre os problemas estruturais do país, tais como revisão do papel da Petrobras, revisão tributária, reavaliação da matriz de transporte e investimento em infraestrutura", fala a entidade.

No comunicado, o setor conclama as autoridades a buscar uma "solução imediata" para a situação. Diz que é fundamental que a Presidência da República, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público e os governos estaduais se empenhem para vencer a crise.

Já o Sebrae, afirmou que o impacto da greve deve ser ainda maior nas micro e pequenas empresas localizadas em cidades com mais de 100 mil habitantes. Esses negócios representam 30% das 11,5 milhões de negócios optantes do Simples. O argumento é que os pequenos trabalham com um volume menor de estoque.

Em nota, o presidente da entidade, Guilherme Afif Domingos, diz que não há muito a ser feito e que o empreendedor tem de ter paciência. Entre os negócios mais afetados listados pelo Sebrae estão os postos de combustíveis, comércio de alimentos perecíveis, produção e comércio de produtos hortifrutigranjeiros, transporte de pessoas e de cargas, cidades que dependem de atividades turísticas, comércio, serviços e indústria.

Segundo o Sebrae, há aspectos positivos na greve dos caminhoneiros. Ela levanta a necessidade de rever o peso dos impostos nos produtos e serviços, a forma de financiamento das contas públicas, as estratégias públicas para estoques de produtos estratégicos e até o tamanho do Estado na economia e o tamanho do déficit público.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!