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Chefe da Petrobras é quase ministro e deve ser próximo do presidente da República, diz Haddad

Por Folha de São Paulo

17/05/2024 20h08 — em
Economia



BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta sexta-feira (17) que o presidente da Petrobras é "quase como um ministro" de Estado e, portanto, deve ter uma relação próxima com o presidente da República. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demitiu Jean Paul Prates na última terça-feira (14).

"O presidente da Petrobras, regra geral, é quase um ministro. É uma pessoa que tem que ter uma relação muito próxima com o presidente da República. [A Petrobras] É a maior companhia do país. Ela é estratégica por várias razões", disse.

Para o lugar de Prates, Lula indicou a engenheira Magda Chambriard, que comandou a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) no governo Dilma Rousseff (PT). É vista pelo mercado como um quadro de perfil mais desenvolvimentista do que Prates.

Haddad não estava entre os participantes da reunião em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu um desfecho para a intensa fritura a que o então presidente da Petrobras vinha sendo submetido havia mais de três meses. Segundo aliados do presidente, o chefe da Fazenda também não participou do processo que culminou com a demissão.

Visto como um aliado de Haddad no Palácio do Planalto, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também não acompanhou a tomada final de decisão.

Segundo Haddad, é natural que haja trocas a depender do julgamento do chefe do Executivo. "Nós, ministros, procuramos auxiliar quando chamados. Eu mesmo fui chamado para dirimir a questão dos dividendos que, na minha opinião, foi bem resolvida."

Para o ministro da Fazenda, ainda que a pasta esteja participando de forma mais próxima das decisões da estatal com assento no conselho de administração, a decisão a respeito da direção da empresa é do presidente da República.

A elaboração e a condução do plano de investimentos da Petrobras estão por trás da demissão de Jean Paul Prates da estatal. Entre as críticas de Lula ao bilionário plano, o baixo investimento previsto para recuperar a indústria naval brasileira e os prazos muito longos para a produção de fertilizantes foram centrais para a decisão.

Mas, além disso, há uma incompatibilidade pessoal. Segundo aliados, Lula chegou a cobrar detalhamento do plano durante reunião ocorrida no auge da crise, após Prates se abster na reunião que decidiu pela retenção de dividendos da Petrobras. Colaboradores do presidente afirmam que Lula tinha perdido a confiança em Prates.

Haddad também disse que sabia da intenção da troca no comando da Petrobras desde os primeiros rumores a respeito. Mas confirmou não ter participado das discussões. "Uma coisa é você opinar, falar o que você pensa. Outra coisa é a escolha do nome. Aí é uma escolha do presidente, como foi em todas as ocasiões em que o Lula presidiu o Brasil", disse.

Segundo ele, essa definição sempre foi de ordem pessoal, sem interferência de ministros. "Como nesse caso também aconteceu. Não houve interferência de ministros, ao contrário do que vem sendo veiculado", afirmou.

Por fim, ele defendeu a atuação de Lula no que diz respeito à Petrobras.

"Eu diria a você que todas as vezes que eu vi o presidente comandar o país a Petrobras cresceu. Cresceu em lucros, em dividendos, em patrimônio, em pesquisa, em prospecção, em abrangência. Ele tem um carinho muito grande pela Petrobras. Ele sabe o potencial que ela tem de gerar lucros aos seus acionistas e de gerar desenvolvimento para o Brasil."

Em abril, Haddad interveio em favor da permanência de Prates. O chefe da equipe econômica defendeu a distribuição dos dividendos extraordinários, posição que havia sido assumida por Prates e era um dos motivos da crise. A defesa de Haddad vem do fato de que parte da verba dos dividendos vai para o caixa da União e aliviará a situação financeira do governo federal.

Na ocasião, Lula foi sensibilizado pelos argumentos do ministro da Fazenda, segundo ministros, porque se convenceu da necessidade de reduzir o déficit das contas públicas.


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