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Chanceler brasileiro dirá nos EUA que, apesar da crise política no Brasil, agenda bilateral continua de pé

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Aloizio Nunes, embarca para os Estados Unidos, nesta terça-feira, para uma série de compromissos que incluirá, na sexta-feira, uma reunião com o secretário de Estado americano, Rex Tillerson. O chanceler dirá que, apesar da crise política, o Brasil continua comprometido com as reformas da Previdência e trabalhista e com o respeito às instituições democráticas. Também informará que o governo brasileiro está disposto a retomar a agenda bilateral que já começou a ser discutida com os Estados Unidos, em nível técnico, com foco em comércio, investimentos, tecnologia, educação e defesa.

— Vou dizer que o governo Temer é comprometido com as reformas e tem base de sustentação congressual suficiente para prosseguir. Estamos vivendo turbulência política, mas não uma crise institucional. Tudo será resolvido de acordo com as regras de Estado de direito — disse Aloizio Nunes ao GLOBO.

Segundo o ministro, o governo quer aprofundar as relações com os EUA de forma pragmática. Depois da China, os americanos lideram a lista de parceiros comerciais do Brasil. Pesa, ainda, o fato de estarem entre os maiores investidores, posição importante em um momento de preparo de novas rodadas de concessões em áreas variadas, como óleo e gás, rodovias e aeroportos.

No ano passado, o fluxo de comércio (soma de exportações com importações) entre Brasil e EUA foi de US$ 46,9 bilhões. Cerca de 75% da pauta exportadora brasileira para os EUA.

Antes de encontro com Tillerson, Aloizio Nunes participará, quarta-feira e quinta-feira, de reuniões na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington. Um dos principais temas será a situação na Venezuela.

— Vou defender uma saída negociada para a crise naquele país. A oposição tem interesse em dialogar, mas o governo não vem se mostrando receptivo a isso. Precisamos discutir que iniciativa podemos ter em relação a esse impasse.

Perguntado sobre o movimento no Brasil que defende eleições diretas para presidente da República, o ministro afirmou:

— “Diretas Já” não tem cabimento. Não há qualquer razão para anteciparmos o calendário eleitoral. O presidente Michel Temer vai continuar.

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