BRASÍLIA — Se o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está a um passo de deixar o cargo para disputar as eleições deste ano como representante da centro-direita, o responsável pelo controle da inflação ficará até o fim do governo Temer. Fontes próximas ao presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, ouvidas pelo GLOBO garantem que ele permanecerá à frente da autoridade monetária. Apesar do interesse nos bastidores para que ele seja um nome para comandar a área econômica pelo sucesso que teve à frente do banco, ele tem dito a interlocutores que não há chance de trocar.
Atualmente, a Fazenda é sinônimo de preocupações por causa da crise fiscal. Já o Banco Central tem sido considerado um oásis para servidores que transitam pelas duas pastas. Na autarquia, a diretoria de Ilan conseguiu recuperar a credibilidade e ancorar as expectativas. A inflação — ajudada pela grave crise e pela queda do preço de alimentos — encerrou o ano passado no menor patamar da história. O número será conhecido hoje e se ficar abaixo do piso da meta (3%), Ilan terá de se explicar por ter deixado a inflação cair tanto.
— Sem chance de Ilan na Fazenda. Ele e os diretores vão ficar quietinhos no BC — garantiu uma alta fonte da equipe econômica sob a condição de anonimato.
Queridinho do mercado financeiro, Ilan também é muito bem visto por grande parte dos técnicos do BC. Eles citam que várias pequenas mudanças promovidas por ele e por sua equipe desburocratizaram, levaram eficiência ao sistema financeiro, aumentaram a concorrência e diminuíram os juros.
— Por que ele iria para a Fazenda agora? Sem chance— frisou outro técnico.
No caso de Meirelles, interlocutores da área econômica afirmam que o ministro está hoje com um pé na Fazenda e outro na campanha, mas que o cenário para que ele saia candidato ficou mais desfavorável. Especialmente depois que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - que também quer ser candidato à presidência - abriu fogo contra Meirelles. O ministro ainda tem baixa popularidade e seu partido, o PSD, está flertando com o DEM de Rodrigo Maia. Assim, Meirelles corre o risco de perder a disputa para Maia, que tem dito a interlocutores que empresários têm pedido a ele que dispute as urnas.
As divergências entre Meirelles e Maia ficaram claras no debate sobre mudanças na regra de ouro - pela qual o governo não pode se endividar para pagar despesas correntes. Por conta da crise nas contas públicas, na semana passada, a equipe econômica chegou a começar a discutir ajustes na regra de ouro na casa de Maia com o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ), que trabalha numa Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir o engessamento do Orçamento no país.
No entanto, logo em seguida, Meirelles disse que o ideal não seria flexibilizar a regra. Maia interpretou isso como uma tentativa da equipe econômica de jogar o assunto no colo do Congresso e afirmou publicamente que não colocaria nenhuma alteração na regra de ouro em votação. Temer teve que chamar Meirelles e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, no Palácio do Planalto para resolver o assunto. O debate sobre o assunto, que precisa ser resolvido antes de 2019, foi adiado para depois da reforma da Previdência.


