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Campos Neto vê incerteza em ritmo de queda da inflação de serviços no Brasil

Por Folha de São Paulo

21/02/2024 11h00 — em
Economia



BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertou nesta quarta-feira (21) que a inflação de serviços no Brasil segue em um patamar um pouco elevado, com os últimos dados marginalmente piores, embora siga em trajetória de convergência para a meta.

O chefe da autoridade monetária admitiu dificuldade dos banqueiros centrais em assimilar a dinâmica recente da inflação de serviços e afirmou que faltam elementos para o BC entender a velocidade da "última milha" do processo de desinflação nesse componente.

"O Brasil tem uma inflação de serviços ainda rodando um pouco acima. Estamos em processo de convergência, nos últimos números de inflação, a inflação de serviços foi marginalmente pior. A gente precisa seguir [...]", afirmou Campos Neto em evento promovido pela Frente Parlamentar da Economia Verde, em Brasília.

"Não temos componentes ainda necessários para entender se essa última milha da convergência da inflação de serviços vai se dar de uma forma linear ou se vão ter alguns momentos de convergência mais lenta", complementou.

O presidente do BC ressaltou que os fatores que estão contribuindo para essa piora recente na inflação de serviços estão associados a itens não recorrentes, como serviços bancários, que, segundo ele, não estão ligados diretamente à mão de obra e tendem a se ajustar ao longo do tempo. "A gente está observando com calma esse processo", afirmou.

Nos dados usados como base para a apresentação de Campos Neto, o BC calcula que a inflação de serviços no Brasil está em 6,2%. No acumulado de 12 meses, a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 4,51% até janeiro.

O BC tem olhado atentamente para os fatores de risco que podem atrapalhar o processo de desinflação em todo o mundo, e o mercado de trabalho aquecido é um dos pontos de atenção. No encontro, Campos Neto alertou que se essa trajetória de queda da inflação for interrompida, os países terão de conviver com juros mais altos por mais tempo.

Em janeiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC optou por uma nova redução de 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), para 11,25% ao ano. Na ocasião, manteve a sinalização por cortes da mesma intensidade nas próximas reuniões.


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