SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa está segura em relação aos seus níveis de provisão para créditos de liquidação duvidosa e tranquila em relação ao comportamento da inadimplência no banco, afirmaram executivos do banco estatal nesta quinta-feira, que também adotaram um tom otimista para o crédito imobiliário após mudanças recentes envolvendo o funding desses financiamentos.
"A habitação continua sendo e será durante muito tempo, certamente, a nossa grande alavanca", afirmou o presidente da Caixa, Carlos Vieira, citando que as últimas mudanças terão um papel muito forte na construção dos fundings. "Isso nos permite vislumbrar algo em torno de R$1 trilhão nos próximos dez anos", afirmou o executivo.
Em meados de outubro, o governo anunciou mudanças nas regras do crédito imobiliário, prevendo uma flexibilização gradual do direcionamento obrigatório dos depósitos nas cadernetas de poupança a essa modalidade de financiamento e também da parcela recolhida compulsoriamente ao Banco Central.
Outra mudança envolvendo o setor foi anunciada na véspera, quando o Conselho Curador do FGTS aprovou medida que permite que quem financiou um imóvel entre 2021 e 2025 use o FGTS para ajudar a pagar o financiamento. Isso vale para imóveis de até R$2,25 milhões e pode ser usado para amortizar, comprar ou abater parte das parcelas.
"Nossa expectativa é de que 2026 dê uma nova conotação para esse mercado", afirmou.
INADIMPLÊNCIA
No terceiro trimestre, o índice de inadimplência acima de 90 dias total aumentou para 3,01%, de 2,27% um ano antes e 2,66% três meses antes. No crédito imobiliário, esse percentual ficou em 1,3%, enquanto em pessoa física subiu a 6,25% e pessoa jurídica atingiu 12,50%. No agronegócio, saltou para 11,20%.
A provisão para créditos de liquidação duvidosa alcançou R$5,07 bilhões, um salto de 64,5% ano a ano e de 43,9% no trimestre.
De acordo com o vice-presidente de Finanças do banco, Marcos Brasiliano, o banco está bastante seguro em relação ao volume de provisões, bem como não há problemas estruturais do ponto de vista da dinâmica da inadimplência da instituição.
Ele destacou que a Caixa não percebe uma crise de renda, de emprego. "O endividamento das famílias é algo que, de fato, preocupa, mas é muito mais pela taxa de juros no patamar que está do que propriamente pelo volume", afirmou o executivo, ressaltando que o balanço está muito bem protegido.
"Quando começamos a pensar em 2026 enxergamos também uma oportunidade... com uma possível redução da taxa de juros", afirmou.
A Caixa divulgou resultado na véspera, com lucro líquido recorrente de R$3,8 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 15,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
(Por Paula Arend Laier)

