Brasileira Marfrig paga R$ 3,3 bi e assume controle do frigorífico americano National Beef
SÃO PAULO - A brasileira Marfrig Global Foods deve assumir o controle do frigorífico americano National Beef depois de anunciar, nesta segunda-feira, a aquisição de 51% da National Beef, a quarta maior processadora de carne bovina dos Estados Unidos, por US$ 969 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões). Concluída a operação, a Marfrig passará a ser a segunda maior processadora de carne bovina do mundo.
— Vamos trabalhar com uma plataforma global de produção e um faturamento consolidado de R$ 43 bilhões — resumiu Martín Secco, presidente executivo da Marfrig, em coletiva de imprensa realizada no início da tarde desta segunda-feira, em São Paulo.
— Com a transação, teremos operações nos dois maiores mercados de carne bovina do mundo e chegaremos a países consumidores extremamente sofisticados e conseguimos crescer mantendo uma rigorosa disciplina financeira — acrescentou Secco.
Fundada em 1992, a National Beef faturou R$ 24,3 bilhões (US$ 7,3 bilhões) no ano passado. Desde 2011, a empresa é controlada pela holding de investimentos americana Leucadia National Corporation, que adquiriu 79% de participação de seu capital. Com capacidade de abate de 12 mil cabeças de gado ao dia, a empresa é sediada em Kansas City, no estado do Missouri, e possui duas unidades de processamento em Dodge City e Liberal, no Kansas, que respondem por cerca de 13% da capacidade total de abate do mercado americano.
— Passaremos a ter capacidade de abater de 35 mil cabeças de gado ao dia: 12 mil da National Beef e 23 mil da Marfrig — calculou Secco.
O acordo marca a última incursão nos EUA pela Marfrig, que, em 2010, comprou a Keystone Foods por cerca de US$ 1,26 bilhão (R$ 4,3 bilhões) para se tornar fornecedora de redes de restaurantes como a McDonald’s. Também fortalece a presença de empresas brasileiras no setor de carne dos EUA: JBS também tem operações naquele país e uma participação majoritária na gigante avícola Pilgrim’s Pride.
Na operação anunciada nesta segunda-feira, a Marfrig concordou em comprar por cerca de US$ 900 milhões uma fatia de 48% detida atualmente pela Leucadia National e mais 3% do frigorífico detidos por outros acionistas.
Em 2008, a JBS chegou a anunciar a compra da National Beef, mas meses depois o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e as promotorias de 13 Estados dos Estados Unidos pediram o bloqueio do negócio. O presidente da Marfrig descartou que haja qualquer desfecho parecido para o negócio anunciado hoje. Ele disse que “devido à pequena presença da Marfrig no mercado americano” não devem haver restrições por parte dos órgãos antitruste dos Estados Unidos..
Segundo comunicado da Marfrig, a National Beef é atualmente uma das mais eficientes e rentáveis companhias do setor nos Estados Unidos."Após a conclusão da operação, a Leucadia transferirá o controle acionário para a Marfrig e se manterá como acionista minoritário da empresa, com uma fatia de 31% do capital total. A US Premium Beef, associação de produtores americanos, ficará com 15% e outros acionistas com os 3% restantes", informou a Marfrig em comunicado, acrescentando:
"Tanto a Leucadia quanto os demais investidores se comprometeram a manter suas ações da National Beef por um período mínimo de cinco anos".
Na transação, a Marfrig avaliou a National Beef em US$ 2,3 bilhões, incluindo dívidas – assim, o valor pago pela Marfrig equivale a um múltiplo de transação EV/Ebitda UDM (Valor da Empresa/Ebitda Ajustado) de 4,4 vezes. Com a aquisição da National Beef, a Marfrig informa ter alcançado dois objetivos traçados em seu plano estratégico. Primeiro, consolida sua força no segmento de carne bovina, origem da companhia. Uma das líderes do mercado americano, a National Beef exporta para 40 países, incluindo o Japão e a Coreia do Sul, mercados atualmente fechados às exportações de carne brasileira.
Em 2017, a Marfrig apresentou um Ebitda ajustado de R$ 1,7 bilhão. Com a National Beef, o Ebitda passa a ser de R$ 3,4 bilhões.
"A aquisição da National Beef é a materialização de uma oportunidade única", diz Martín Secco, CEO da Marfrig. "Com a transação, teremos operações nos dois maiores mercados de carne bovina do mundo, chegaremos a países consumidores extremamente sofisticados e conseguimos crescer mantendo uma rigorosa disciplina financeira."
O segundo objetivo alcançado com a transação é a melhoria nos indicadores de alavancagem da Marfrig, que passará a consolidar em seu balanço 100% dos resultados da National Beef. No ano passado, a dívida total da Marfrig representava 4,5 vezes seu Ebitda. Com a aquisição, o indicador cai para 3,35 vezes. A transação será integralmente financiada por um empréstimo do banco Rabobank.
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