O Brasil pretende vender títulos denominados em yuan na China anualmente, e não apenas uma vez, afirmou nesta quarta-feira um alto funcionário do Tesouro Nacional. O plano transformaria a moeda chinesa em componente permanente da dívida externa brasileira.
A estreia é esperada até o fim deste ano e tem porte modesto: o governo não conta com os recursos captados, uma vez que a dívida externa representa cerca de 4% do estoque federal.
Em webinar promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China, o subsecretário da Dívida Pública do Tesouro, Francisco Segundo, afirmou que o valor da operação está em outro lugar. Segundo ele, dado o tamanho do país, a emissão é por ora muito mais qualitativa do que quantitativa: trata-se de um recurso bem-vindo e tendencialmente barato, mas o ponto principal é destravar o acesso a novos investidores.
O que o Tesouro busca, na prática, é um preço de referência. Vender papéis de empresas brasileiras a investidores chineses é mais difícil sem uma curva soberana que sirva de parâmetro para captações — e o Brasil nunca teve uma curva em yuan.




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