RIO E SÃO PAULO — Após subir cerca de 1% no começo do pregão, a Bovespa inverteu o sinal e passou a operar no campo negativo nesta terça-feira. Pressionado pelas baixas das ações de Petrobras e Eletrobras, o Ibovespa, principal índice, caía 0,70%, a 70.450,75 pontos, perto do meio-dia. Já o dólar comercial iniciou os negócios em alta ante o real, mas, no mesmo horário, registrava leva queda, de 0,13%, cotado a R$ 3,776.
De acordo com analistas de mercado, a cautela dos investidores é motivada pela expectativa em relação ao cenário eleitoral brasileiro e também pelo receio de uma guerra comercial mundial, apesar da leve melhora das bolsas americanas hoje.
— Na próxima quinta-feira temos duas pesquisas eleitorais importantes, do Ibope, uma delas que considera o ex-presidente Lula. Na prática, nenhum dos candidatos que estão pontuando trazem conforto aos mercados. É natural a proteção — diz Ricardo Gomes da Silva, diretor da Correparti. — É esperado que o dólar não mude de patamar, por mais que o Banco Central (BC) esteja fazendo força — acrescenta.
Para o analista Ari Santos, da H.Commcor, o mercado está em compasso de espera até a situação eleitoral estiver mais definida.
— Provavelmente a partir de 15 de agosto, quando as candidaturas estarão postas, teremos impactos maiores. Até podemos ter volatilidade, pois há muitas dúvidas: o Meirelles será candidato? Lula irá para prisão domiciliar? Alckmin vai decolar? — diz Santos.
Na avaliação de Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos, os mercados globais operam mais estáveis hoje em comparação com ontem, quando as negociações comerciais entre Estados Unidos e China agitaram os principais mercados.
— No ambiente doméstico, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada há pouco, reforçou o comunicado feito na semana passada, quando o colegiado manteve a taxa de juros em 6,5%. Ressaltou que os devem ser transitórios na inflação e na atividade —, disse, em relatório matinal.
Para a equipe do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, a ata reconhece que os dados de curto prazo estarão contaminados pelo efeito da greve dos caminhoneiros, o que sugere "que será preciso algum tempo de observação para concluir se houve ou não contaminação dos preços não ligados ao câmbio”.
Na véspera, o dólar comercial fechou fechou a R$ 3,781, com uma pequena queda de 0,07%. O principal motivo para a queda de desta segunda foi um leilão de linha, feito pelo BC, o qual emprestou . Trata-se de uma venda em que o BC se compromete a comprar de volta o montante ofertado, que é devolvido às reservas internacionais.

