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"Ele precisa assumir"

Bolsonaro não pode terceirizar articulação política, diz Rodrigo Maia

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Incomodado com críticas de apoiadores do governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou neste sábado (23) que o presidente Jair Bolsonaro assuma a liderança da articulação do governo para aprovar a reforma da Previdência, sem terceirizar a responsabilidade.

"Ele não pode terceirizar a articulação como ele estava fazendo. Transfere para o presidente da Câmara e do Senado uma responsabilidade que é dele e fica criticando: 'Ah a velha política está me pressionando'. Ele precisa assumir essa articulação porque ele precisa dizer o que é a nova política. Nós estamos na nova política, nós queremos a nova política, o Brasil quer mudar", disse Maia.

Ao deixar o Congresso do PPS, em Brasília, Maia afirmou que Bolsonaro deve procurar os deputados individualmente para explicar os motivos pelos quais a reforma precisa ser aprovada.

"O presidente vai começar a convidar cada deputado que pensa em votar a favor para explicar os seus motivos, da importância para o governo e para o país, principalmente, e vai assumir essa grande liderança em relação à sociedade, em relação ao Executivo e em relação ao Parlamento", disse.

Depois de ter dito a aliados que pretendia deixar a articulação da proposta se continuasse sendo criticado, Maia afirmou que seguirá defendendo o projeto, mas dentro do Congresso.

"O presidente da Câmara, que sou eu, vai continuar dentro da Câmara, dialogando com os deputados, mas eu não tenho responsabilidade e nem o governo pode me delegar responsabilidade de construir uma base para o governo", afirmou.

Questionado sobre a fala do presidente no Chile, que comparou a relação com o Congresso a namoro, Maia disse que não precisa nem de café e nem de namoro por ter convicção sobre a necessidade da reforma.

"Não preciso namorar, não preciso tomar café. Eu tenho convicção da matéria. O presidente nunca teve. Que bom que esteja construindo essa convicção. Agora ele precisa ter convicção, ele precisa parar de falar que ele era contra a reforma da Previdência. Isso atrapalha, isso gera insegurança. Eu não, estou onde sempre estive: a favor dos brasileiros que querem o estado mais eficiente, mais barato", afirmou.

Segundo ele, o conflito com o governo é página virada. Mas cobrou que o governo saia das redes sociais e "venha para o mundo real".

"O mundo real é onde as pessoas não têm escola, onde os jovens estão sendo entregues ao tráfico de drogas, ao tráfico de armas, onde temos mais de 15 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, que está crescendo, infelizmente. São esses pontos que nós precisamos tratar daqui para frente, e a reforma da Previdência é a base para isso. É por isso que a gente foca tanto na reforma da Previdência", afirmou.

Maia disse ainda que Bolsonaro precisa mostrar o que é a "nova política", discurso com o qual se elegeu. "O presidente foi eleito com esse discurso. Ele foi eleito para isso, ele precisa colocar alguma coisa no lugar", afirmou,

Em tom crítico, o deputado ainda comparou Bolsonaro ao americano Donald Trump, com quem o presidente brasileiro esteve no início da semana.

"Infelizmente nem o Trump colocou algo no lugar, nem aqueles que defendiam o Brexit colocaram algo no lugar, nem a Espanha colocou algo no lugar porque teremos novas eleições e o governo caiu. Esses movimentos são muito competentes para tirar algo do lugar, mas eles ainda não construíram um caminho para colocar algo", afirmou.

Ele disse que Bolsonaro é quem tem mais legitimidade para construir um novo momento do Brasil, mas que para isso é necessário mostrar o que ele fará de diferente em relação aos governos do PT, que duraram 13 anos.

"Porque senão a gente vai achar que os governos são muito parecidos, porque até agora ninguém propôs nada diferente do que o PT construiu nos últimos 13 anos. Um governo de direita não pode ser igual a um governo de esquerda."

Segundo o dirigente da Câmara, sem propostas claras para combate de pobreza, da violência e outros problemas do país, o Brasil é "deserto de ideias".

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