Início Economia Bolsa volta a cair com preocupação sobre Previdência; dólar sobe
Economia

Bolsa volta a cair com preocupação sobre Previdência; dólar sobe

RIO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) volta a cair nesta quinta-feira, recuando 0,41%, aos 64.478 pontos. Na véspera, a percepção de que a Reforma da Previdência será mais difícil de aprovar do que o esperado fez a Bolsa fechar em queda de 1,51%. No mercado de câmbio, o dólar comercial avança 0,09% frente ao real, cotado a R$ 3,118 para venda.

A piora na avaliação de risco ocorreu após o site do jornal “O Estado de S. Paulo” divulgar um levantamento em que mostra que a maior parte dos deputados é contrária a reforma.

Rogério Freitas, sócio na Teórica Investimentos, afirmou que o mercado financeiro está vivendo “um dia após o outro” no que diz respeito à reforma da Previdência. De acordo com ele, o cenário-base de todos ainda é de que a reforma será aprovada, mas o ponto mais importante é saber sob quais condições.

— Os investidores acreditam que alguma reforma vai ser aprovada. A questão é qual será ela. O problema é que nem o mercado e nem mesmo o governo sabem a resposta a essa pergunta hoje. Sabe-se que o governo terá que flexibilizar o projeto para ele passar, e tudo vai depender dessa flexibilização. Passar uma reforma meia-boca não é bom. Achava-se até então que pouco da essência seria perdido. Mas já se vê que o governo vai ter que ceder em alguns pontos importantes, o que é ruim para a solvência do país — afrimou Freitas. — Muito da história de juros caindo e retorno do crescimento se deu por causa da reforma fiscal como um todo, e a Previdência é parte a mais importante.

Na avaliação de operadores, a incerteza está cobrando um preço.

— A reforma da Previdência é fundamental para o futuro do Orçamento. Por isso, a não aprovação ou a aprovação de uma reforma que sacrifique pontos-chave seriam péssimas notícias. Logo, é normal que as informações mais recentes façam preço no mercado. Há uma certa tensão — disse Maurício Pedrosa, estrategista Pedrosa Consultoria. — No fundo, majoritariamente, o mercado financeiro acredita que a reforma vai ser aprovada com algumas ressalvas. Mas a incerteza está sendo colocada no preço. Há muitos ruídos.

“Internamente, o placar atualizado mostra que 251 deputados são contra a reforma da Previdência, mas as discussões estão apenas no início. Acabou não havendo quórum para votação da recuperação financeira de Estados, devendo ficar para hoje. Porém, o governo vai alongar o prazo das dívidas dos Estados com o BNDES e dar carência de 4 anos”, disse Alvaro Bandeira, economista-chefe Home Broker Modalmais, em comentário distribuído a clientes esta manhã.

O governo também tem dado sinais de fragilidade quanto à reforma. Como, ele desistiu da regra de transição. Pelo texto original, ficariam na fase de transição homens acima de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos. Agora, todos serão afetados pelas mudanças, e será considerado na transição o tempo de contribuição dos segurados para o regime de aposentadoria. Uma das hipóteses em discussão com o relator, deputado Arthur Maia (PPS-BA), é fixar idades mínimas progressivas, começando com 57 anos (homens) e 55 anos (mulheres), até chegar aos 65 anos, o patamar previsto na reforma.

A Petrobras opera em leve alta, subindo 0,06% (ON, a R$ 15,34) e 0,48% (PN, a R$ 14,64). A Vale cai 0,37% (R$ 29,34) e 0,43% (PNA, a R$ 27,78). Entre os bancos, o Itaú Unibanco tem baixa de 0,78% (R$ 37,71), e Banco do Brasil, de 0,98% (R$ 33,09).

O Bradesco registra desvalorização de 1,02% (R$ 31,77). O portal Poder360 publicou nesta quinta-feira que investigadores da Lava Jato abriram inquérito para investigar possível fraude e falha no sistema de controle interno do Bradesco que permitiu o pagamento de R$ 220 mil em propina. Procurado pela agência Bloomberg, o banco afirmou que não iria comentar a notícia.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?