Bolsa sustenta alta, mas exterior faz dólar subir a quase R$ 5,68

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

03/12/2021 19h35 — em Economia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira fechou nesta sexta-feira (3) em alta de 0,58%, a 105.069 pontos, ainda embalada pela aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios pelo Senado na véspera.

Com o resultado desta sexta e a alta de 3,66% alcançada um dia antes, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa, obteve um ganho nesta semana de 2,78% e conseguiu interromper uma sequência de duas baixas semanais. O resultado acumulado em 2021, porém, ainda está negativo em 11,72%.

O dólar subiu 0,31%, a R$ 5,6770, na maior cotação desde o final de abril, alavancado por um movimento global de busca por segurança que dominou os mercados nesta sessão e minou várias classes de ativos de risco, como ações e moedas emergentes.

Temores sobre efeitos potenciais da variante ômicron do coronavírus sobre a economia global, dados abaixo do esperado do mercado de trabalho americano e um tom persistentemente duro de membros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) acerca da inflação no país compuseram um quadro que forçou nova liquidação de ativos de risco no mundo, ao fim de uma das mais voláteis semanas dos últimos meses.

Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com quedas de 0,17%, 0,84% e 1,92%. O dia também foi de perdas generalizadas nas principais bolsas da Europa.

O petróleo Brent, referência mundial, subiu 0,63%, a US$ 70,11 (R$ 395,60), contribuindo para a alta de 1,41% nas ações preferenciais da Petrobras, cujo volume negociado foi o maior do dia.

Ainda entre os papéis com maior negociação, as ações da Magazine Luiza subiram 4,29%. Já entre os destaques negativos, a Vale recuou 2,20% em um dia marcado por quedas nos mercados futuros e à vista do minério de ferro.

A empresa de cupons de descontos Méliuz disparou mais de 30% e fechou o dia com a maior alta do pregão, após divulgar dados da Black Friday, recuperando-se de uma queda de mais de 20% nas últimas três sessões.

As principais desvalorizações ficaram com Marfrig, que cedeu 5,74%, e a JBS, com perda de 4,84%, após o Bradesco BBI rebaixar a recomendação para as ações de ambas.

O mercado de juros futuros apresentou queda nesta sexta, com a taxa DI (Depósitos Interbancários) para janeiro 2023 cedendo 0,27 ponto percentual, a 11,31% ao ano.

Contribuiu para a queda a divulgação do corte de 0,6% na produção industrial em outubro. "O resultado da produção industrial confirma o cenário que temos de estagnação da atividade econômica no quarto trimestre já apontada por diversos indicadores coincidentes", escreveram economistas do Banco Fibra.

Com a leitura de que a atividade econômica mais fraca, o mercado avalia que é menor a chance de altas mais intensas da Selic (taxa básica de juros). A última decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) no ano ocorrerá na semana que vem.

"Essa queda da curva de juros vem por conta do fraco desempenho econômico", disse Rafael Ribeiro, da Clear Corretora.


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