SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar comercial fechou com leve queda frente ao real nesta quarta-feira (8). A moeda americana recuou 0,07%, sendo vendida a R$ 5,1950 à vista, depois de ter avançado mais de 3% no acumulado das três sessões anteriores.
O dia foi marcado pelos comentários de autoridades do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) e pelas tensões provocadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com críticas ao Banco Central, comandado por Roberto Campos Neto.
Nesta quarta, Lula afirmou que não "tem que pedir licença para governar" e que seu objetivo é melhorar a vida da população.
A Bolsa fechou em alta nesta quarta-feira (8), impulsionada pelas ações dos bancos, especialmente do Itaú Unibanco, que nesta terça-feira (7) anunciou seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2022. Ibovespa sobe nesta quarta impulsionado pelo otimismo da queda de juros em todos os vértices. A notícia de que há ministros aconselhando Lula a baixar temperatura no confronto com BC também colabora para o recuo, segundo analistas.
O Ibovespa fechou alta de 1,97%, a 109.951 pontos.
Os juros apontam uma tendência de queda. Os contratos com vencimento em 2024 recuaram de 13,66% do fechamento desta terça-feira para 13,50%. No vencimento em 2025, as taxas passaram de 13,10% para 12,77%. No vencimento em 2027, a taxa foi de 13,10% para 12,84%.
O grande destaque do mercado nesta quarta-feira fica com os bancos, depois que o Itaú Unibanco divulgou seus números e promoveu uma entrevista coletiva com o presidente da instituição, Milton Maluhy Filho, e o diretor financeiro, Alexsandro Broedel.
ITUB4 e holding ITAUSA subiram mais de 8%.
Um dos pontos positivos levantados por analistas foi a decisão do Itaú de provisionar 100% dos créditos concedidos para a Americanas. Ou seja, o banco já separou recursos suficientes para cobrir seu capital caso a varejista não pague suas dívidas.
Os analistas Renan Manda e Matheus Guimarães, da XP Investimentos, ressaltam que com essa decisão, os balanços de 2023 do Itaú ficam completamente livres do efeito Americanas.
"Esse revés momentâneo, que correspondeu a menos de 10% do lucro líquido, pressionou a rentabilidade do Itaú para 19,3%, que vemos como ainda positivo e com tendência de recuperação nos próximos trimestres", dizem os analistas da XP.
"Na esteira de Itaú, veio Bradesco e BTG subindo no dia de hoje. Parece que o mercado passa a dar um novo voto de confiança ao setor financeiro, especialmente para esses três nomes, que tem exposição a Americanas", afirma Leandro Petrokas, diretor da Quantzed.
Avançaram também em mais de 8% as ações da São Martinho. "O primeiro motivo é por conta da alta do açúcar na bolsa internacional. O segundo é que as ações vem ganhando destaque desde que a empresa anunciou que produzirá etanol a partir do milho como matéria-prima, o que aumenta a capacidade produtiva", afirma Petrokas.
As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam em baixa nesta quarta-feira, reduzindo a maior parte dos fortes ganhos da sessão anterior, com papéis focados em tecnologia na lanterna. Alphabet foi o papel que mais pesou nos índices S&P 500 e Nasdaq depois que seu chatbot Bard produziu resultados incorretos em um anúncio online.
Segundo dados preliminares, o S&P 500 perdeu 1,11%, a 4.117,91 pontos. O Nasdaq recuou 1,66%, para 11.912,19 pontos. O Dow Jones caiu 0,59%, para 33.954,18 pontos.
Investidores se mostram ainda preocupados com o fato de o Federal Reserve continuar elevando os juros este ano.
Um dirigente do Fed, banco central dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira que ainda há muitas incertezas sobre o cenário para a inflação no país, segundo a agência Bloomberg. Ele acrescentou que, a depender do comportamento dos indicadores nos próximos meses, a alta dos juros pode acontecer em ritmo maior que o de 0,25 ponto adotado na última reunião.

