RIO - A Bolsa brasileira subiu 2,69% nesta quarta-feira, aos 74.363 pontos, recuperando as perdas com o pregão da véspera com os esforços do governo para tentar aprovar pelo menos uma versão reduzida da reforma da previdência. Os papéis acentuaram a valorização na última hora de pregão, depois de o deputado Arthur Maia, relator do projeto, afirmar a jornalistas que “o tema voltou a caminhar”. Na terça-feira, o Ibovespa havia caído 2,55%, o pior pregão desde maio, com o presidente Michel Temer admitindo que a reforma poderia ser derrotada. Na noite de ontem, porém, o presidente tentou contornar a situação, usando sua conta no Twitter para defender a reforma e pedir apoio da população. No mercado de câmbio, o dólar comercial recuou 0,39% frente ao real, cotado a R$ 3,264 na venda.
— Conversei hoje com o presidente Rodrigo Maia, conversei com o presidente Eunício Oliveira, do Senado Federal, fiz uma reunião hoje dos líderes no Senado, como fiz ontem com os líderes da Câmara dos Deputados, e verifiquei nesses líderes a disposição de produzir uma reforma da Previdência para o nosso país — afirmou Temer.
Para reafirmar o compromisso do governo com a matéria, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha também divulgou um vídeo no Twitter logo depois do encontro com senadores e afirmou que Padilha disse que o governo mantém “firme” a posição de que é “indispensável” aprovar a reforma ainda este ano.
— É um movimento de correção de preços, após a queda forte de ontem, proporcionado pelas últimas declarações do Planalto sobre a votação de uma mini-reforma da Previdência. Como ontem parecia que tudo já estava perdido, que o governo havia jogado a toalha, agora ele acabou se mexendo um pouco. Até porque as agências de classificação risco acabariam tomando uma atitude com relação àquele posicionamento — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. — Não acho que nada tenha mudado fundamentalmente. Mas como o mercado vive de expectativas, é verdade que criou-se um clima um pouco mais positivo.
As declarações de Temer na segunda-feira fizeram com que o Ibovespa tivesse ontem seu pior pregão desde a delação premiada dos executivos da JBS, em maio. A queda foi de 2,55%, aos 72.414 pontos. A incerteza política também pressionou o dólar. A moeda americana fechou em alta de 0,52% ante o real, cotada a R$ 3,277.
Nesta quarta-feira, as ações da Bolsa sobem em conjunto, e o Ibovespa foi puxado pelos principais papéis. A Petrobras PN (preferencial, sem voto) avançou 2,73%, enquanto o Itaú Unibanco registrou valorização de 3,65%. A Vale avançou 1,25%, e o Banco do Brasil disparou 5,24%.
A TIM opera teve alta de 4,54% depois de ter divulgado, na noite de terça-feira, lucro líquido de R$ 279 milhões no terceiro trimestre, aumento de 51,6% em relação ao ano anterior.
A MRV avançou 1,96%, após três quedas seguidas. Na véspera, após o fechamento do mercado, a MRV registrou alta de 35% no lucro líquido do terceiro trimestre, para R$ 202 milhões.
Já a Metalúrgica Gerdau saltou 4,47%, depois de ter registrado lucro líquido consolidado de R$ 131 milhões no terceiro trimestre, alta de 495,5% ante o mesmo período do ano passado.
A maior alta do pregão foi da Marfrig, que disparou 11,02%, em dia que o conselho da companhia se reunia. Após o fechamento do mercado, a companhia anunciou que aprovou sua adesão ao novo Refis.



