Bolsa sobe 1,8% com sinalização do Fed e redução de tensão na China

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

22/09/2021 18h36 — em Economia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira fechou nesta quarta-feira (22) em alta de 1,84%, a 112.282 pontos, impulsionada pelo bom humor de investidores com o resultado da reunião do Fomc, o comitê de política monetária Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos). O dólar subiu 0,32%, a R$ 5,3030.

Analistas avaliam que a autoridade monetária americana manteve a coerência em relação ao seu plano de reduzir gradualmente suas compras mensais de títulos e de antecipação para 2022 da elevação dos juros.

A atual meta para a taxa de juros foi mantida pelo Fed em um intervalo de 0% a 0,25%.

"Não veio nada inesperado e os investidores estavam se preparando para esse posicionamento", diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

"É claro que o comitê também comunicou que está preparado para ajustar esse plano em caso de uma eventual reversão do cenário econômico que ameace as metas de pleno emprego e de inflação na casa dos 2%", comenta Abdelmalack.

A expectativa é que o início da redução das compras de títulos, processo apelidado de tapering, ocorrerá em meados de 2022, segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

"A cautela na condução e no discurso sugerem que o passo não deverá ser reduzido de maneira tão abrupta", diz Sanchez.

O mercado também acompanhou com alívio a notícia de que a incorporadora chinesa Evergrande concordou em acertar o pagamento de juros de um título doméstico, afastando temores de calote iminente.

Em um comunicado enviado à Bolsa de Shenzhen, no sul da China, uma filial do grupo informou ter negociado um plano para pagar os juros de um título que vence nesta quinta-feira (23).

Papéis de empresas dos setores de mineração e de metalurgia no Brasil refletiram a redução da tensão na China. Ações da Vale (VALE3) e Usiminas (USIM5) subiram 3,55% e 8,70%, respectivamente.

No cenário doméstico, o mercado ainda comemora a retomada do diálogo entre governo e Congresso na busca de uma solução para o pagamento dos precatórios em 2022.

Na terça-feira (21), os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicaram compromisso com a busca por solução para a conta de R$ 89 bilhões em precatórios para 2022.

Pacheco disse que a nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios limitará o crescimento dessas despesas pela mesma dinâmica da regra do teto de gastos, enquanto Lira ressaltou intenção de respeitar o teto e criou a comissão especial que analisará o mérito da PEC dos precatórios.

"A solução para pagamento de precatórios parece estar chegando a um desfecho", avaliaram analistas da XP em nota.

O mercado também operou na expectativa para o anúncio do reajuste da taxa básica de juros, a Selic.

Em Wall Street, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram 1,00%, 0,95% e 1,02%, respectivamente.

O petróleo Brent subiu 2,12%, cotado a US$ 75,94 (R$ 400,83) e deu fôlego para altas nos papéis preferenciais da Petrobras (2,54%%) e das ações ordinárias da PetroRio (7,48%), que figuraram entre os destaques do dia.


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