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Bolsa perde os 123 mil pontos e dólar bate R$ 5,20, com cautela nos mercados globais

Por Folha de São Paulo

29/05/2024 17h40 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira fechou em queda de 0,87% nesta quarta-feira (29), a 122.707 pontos, em dia de cautela diante da agenda de dados macroeconômicos aqui e nos Estados Unidos.

Já o dólar subiu 1,04%, cotado a R$ 5,208 na venda, em linha com o avanço no exterior contra moedas fortes e países emergentes.

Os investidores se mantiveram cautelosos nesta véspera de feriado, em meio, também, à divulgação do Livro Bege do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), um relatório sobre as condições econômicas do país.

O documento "trouxe a informação de que a expansão da economia continua forte, nada de diferente do que vemos representados na divulgação de dados como CPI e PPI, o que faz com que, cada vez mais, a possibilidade de apenas um corte ou até mesmo nenhum corte na taxa de juros nos EUA em 2024 ganhe força", avalia Anderson Silva, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital.

Há dias, a tônica dos mercados tem sido marcada por temores sobre a taxa de juros dos EUA, à medida que a estabilidade da renda fixa na maior economia do mundo torna investidores avessos ao risco na renda variável, tanto lá quanto nos mercados emergentes.

Dados do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos esperados para amanhã, quando não haverá pregão na B3, devem ajudar a pintar o cenário sobre a maior economia do mundo. Também no radar, o núcleo da inflação norte-americana, indicador mais monitorado pelo Fed para balizar a taxa de juros, deverá ser divulgado na sexta-feira.

Enquanto mantinham um pé no mercado exterior, a agenda cheia de dados domésticos também era destaque.

A taxa de desemprego caiu a 7,5% no trimestre encerrado em abril, segundo informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. Nos três meses anteriores até março, o indicador marcou 7,9%.

Essa foi a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em abril desde 2014, quando o indicador estava em 7,2%.

O resultado não surpreendeu o mercado, que esperava uma taxa de desemprego levemente acima, de 7,7%, conforme a mediana das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg.

O dado, porém, mostra que o mercado de trabalho segue forte —alvo de preocupação para o Banco Central, que pesa os indicadores de desemprego para a formulação da política monetária.

Em resposta, as curvas de juros futuros tiveram altas superiores a 20 pontos-base na maioria dos vencimentos.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 —que reflete a política monetária no curtíssimo prazo— estava em 10,425%, ante 10,368% do ajuste anterior.

A taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,87%, ante 10,674% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,24%, ante 11,002%. A taxa para janeiro de 2028 estava em 11,545%, ante 11,3%, e o contrato para janeiro de 2031 marcava 11,94%, ante 11,715%.

A forte alta dos juros futuros também foi influenciada por fatores externos. Nos EUA, os rendimentos do Treasury de dez anos —referência global de investimentos— atingiram o pico em quatro semanas, em meio a movimentos técnicos e com investidores ainda cautelosos quanto ao início do corte de juros pelo Federal Reserve.

Também esteve no radar a dívida bruta do Brasil, que registrou alta em abril a 76% do PIB, contra 75,7% no mês anterior, de acordo com o Banco Central.

A pauta ainda mostrou que o IGP-M, a "inflação do aluguel", acelerou a alta para 0,89% em maio, enquanto a confiança do setor de serviços recuou novamente em maio.

"Vemos um cenário bastante desafiador no curto prazo para o mercado", afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista.

Na cena corporativa, as ações de varejistas se beneficiaram da nova proposta do Congresso em taxar compras de até US$ 50 em sites estrangeiros, como as plataformas asiáticas Shein, Shopee e Aliexpress, com uma alíquota de 20%.

Hoje, as compras até esse valor são isentas da cobrança do Imposto de Importação e motivo de um embate que se arrasta há mais de um ano entre as empresas nacionais, as plataformas e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ações de Lojas Renner (1,21%), Iguatemi (0,89%) e Allos (0,47%) foram destaque na coluna positiva do Ibovespa em resposta à suspensão da isenção.

Petrobras operou mista, em dia de queda do barril de petróleo no exterior: as ações ordinárias subiram 0,23% e as preferenciais perderam 0,13%.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada nesta quarta-feira, que não há mudança radical ou motivo de preocupação com a Petrobras e a empresa deve executar seu plano de investimento.

As declarações vinham na esteira da primeira entrevista de Magda Chambriard como presidente da estatal, na qual defendeu um reforço na estratégia de buscar novas reservas de petróleo, sobretudo na margem equatorial, disse que a estatal não entrará em negócios que não dão lucro e que recebeu do presidente Lula a missão de gerir a empresa com "respeito à sociedade brasileira".

"De certa forma, o mercado gostou de ter visto a posição da Magda falando de como vai tocar a empresa", avalia Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Na outra ponta, Vale perdeu 1,02%, com os futuros do minério de ferro recuando pela terceira sessão consecutiva na China.

Grandes bancos, como Santander, Bradesco, Itaú e BTG, também fecharam no negativo.

O dólar fechou a terça-feira em queda de 0,32%, cotado a R$ 5,154 na venda. O Ibovespa também recuou, a 0,58%, aos 123.779, perdendo a marca dos 124 mil pontos.


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