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Bolsa fecha em queda e dólar fica estável, com mercado atento a juros do Brasil e dos EUA

Por Folha de São Paulo

20/05/2024 17h56 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira fechou em queda de 0,31% nesta segunda-feira (20), a 127.750 pontos, em dia de volatilidade conforme investidores seguiam de olho nos próximos passos da política monetária do Brasil e dos Estados Unidos.

Já o dólar fechou praticamente em estabilidade, em alta de 0,04%, cotado a R$ 5,1041 na venda.

O Ibovespa oscilou entre o sinal negativo e positivo ao longo do dia, com o mercado atento à agenda econômica da semana. A ata da última reunião de política monetária do Fed (Federal Reserve), prevista para quarta-feira, é o principal evento do calendário, à medida que cresce a expectativa por um corte na taxa de juros norte-americana ainda este ano.

As novas previsões para Selic e PIB (Produto Interno Bruto), divulgadas mais cedo no Boletim Focus, também entraram no radar.

Lá fora, a expectativa é que as autoridades do banco central norte-americano comecem a dar mais pistas sobre a trajetória da taxa básica de juros dos EUA, referência para os mercados globais.

Em decisão no início de maio, o Fed manteve os juros estáveis, na faixa de 5,25% a 5,50%, e sinalizou que ainda está inclinado a eventuais cortes, mas avaliou que as leituras de inflação até aquele momento eram decepcionantes.

Desde então, em falas separadas na última semana, os membros da autarquia demonstraram cautela com a inflação. Eles reconheceram uma virada positiva depois que números mostraram que os preços ao consumidor nos EUA subiram menos que o esperado em abril, mas a desaceleração não foi o suficiente para que começassem a antever um corte concreto nas próximas reuniões.

Pelo contrário: a diretora Michelle Bowman, conhecida como uma das vozes mais conservadoras do colegiado norte-americano, afirmou na sexta que "continua disposta a aumentar a taxa básica em uma reunião futura, caso os dados recebidos indiquem que o progresso da inflação estagnou ou se inverteu".

O clima, porém, é de otimismo: os investidores preveem uma probabilidade de quase 82% de que o Fed reduzirá os juros em pelo menos 0,25 ponto percentual em setembro, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.

A resposta aparece nos mercados norte-americanos. Desde a divulgação dos dados de inflação em abril, os índices de Nova York seguem em tendência de alta, batendo recordes intradiários.

Houve ainda o Boletim Focus no horizonte, no qual economistas consultados pelo Banco Central aumentaram a projeção de juros e reduziram previsão de alta do PIB deste ano.

O relatório projeta que a Selic fechará o ano em 10% —terceira semana consecutiva de aumento na projeção da taxa básica de juros. A expectativa é 0,25 p.p (ponto percentual) maior que estimativa de 9,75% da semana anterior.

Para o PIB, a previsão é de queda, após economistas preverem aumento no Focus da semana passada. A estimativa é que o crescimento deste ano fique em 2,05%, 0,04 p.p menor que o anterior de 2,09%.

As curvas de juros futuros encerraram a tarde em alta, em resposta ao Focus.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 estava em 10,38%, ante 10,364% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,7%, ante 10,655% do ajuste anterior.

A taxa para janeiro de 2027 estava em 11,055%, ante 11,005%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,345%, ante 11,294%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 11,75%, ante 11,706%.

Em geral, quanto mais o Federal Reserve cortar os juros e menos o BC afrouxar a Selic, melhor para o real. Isso porque, quanto maior o diferencial de juros entre Brasil e EUA, mais interessante fica a moeda doméstica para uso em estratégias de "carry trade", em que investidores tomam empréstimo em país de taxas baixas e aplicam esse dinheiro em mercado mais rentável.

Na Bolsa, porém, indica mais estabilidade na renda fixa —sobretudo a norte-americana, a partir dos títulos do Tesouro de lá, chamados de Treasuries— e menos atratividade na variável, o que geralmente leva o Ibovespa para o negativo.

O índice oscilou entre os sinais, conforme a cena corporativa contrabalançava a incerteza em torno dos juros, mas não conseguiu neutralizar as perdas.

"Os gatilhos positivos para a Bolsa, como a alta dos índices norte-americanos e as perspectivas da economia chinesa, que também beneficiam a economia brasileira e ativos como o minério de ferro, não foram suficientes para sustentar o fluxo e a liquidez no Ibovespa hoje", avalia Jaqueline Kist, especialista em mercado de capitais e sócia da Matriz Capital.

A Petrobras, que perdeu mais de uma Sabesp em valor de mercado na semana passada após a demissão de Jean Paul Prates, ensaiou uma recuperação nesta segunda. Os papéis preferenciais da petroleira avançaram 0,16%, e os ordinários, 0,34%.

A Braskem subiu 3,23%, após a Justiça de São Paulo dar ganho de causa para um pedido de acionistas minoritários que cobram que a petroquímica seja ressarcida pela Novonor, ex-Odebrecht, por abuso de poder de controle. A ação soma cerca de R$ 5,5 bilhões, sem considerar juros, correção monetária e outras custas.

Vale fechou perto da estabilidade, com baixa de 0,05%, mesmo com o avanço dos preços futuros de minério de ferro na China, ainda embalados por medidas de apoio ao setor imobiliário anunciadas pelo governo na última semana.

A resseguradora IRB recuou 6,81%, em movimento de ajuste após forte valorização no final da semana passada.

A 3R Petroleum recuou 2,13%, com agentes ainda analisando o acordo de fusão da companhia com a Enauta, que prevê a incorporação da segunda pela primeira, formando uma companhia de petróleo com "alto" potencial de crescimento nos próximos anos.

Na última sexta-feira, (17) o dólar perdeu 0,54%, cotado a R$ 5,101 na venda. Já a Bolsa fechou praticamente estável, com recuo de 0,10%, a 128.150 pontos.

Na semana, a Bolsa acumulou alta de 0,43%, e o dólar teve baixa de 1,06%.


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