RIO - Após o salto de 2,69% com a retomada das negociações sobre a reforma na véspera, o índice de referência da Bolsa brasileira, o Ibovespa, cai 1,38% nesta quinta-feira, aos 73.337 pontos. O indicador acompanha o desempenho dos seus pares internacionais, que caem com notícia de que senadores republicanos nos EUA planejam adiar para 2019 o corte de impostos corporativos dentro da reforma tributária, segundo informou o jornal “Washington Post”. No mercado de câmbio, o dólar comercial recua pelo segundo dia seguido contra o real nesta quinta-feira, com o governo exibindo esforços para tentar aprovar a reforma da Previdência. A moeda registra desvalorização de 0,12%, cotada a R$ 3,26 para venda. Durante a sessão, o dólar chegou a cair a R$ 3,237, o que não acontecia desde 30 de outubro, mas a divisa americana ganhou força com o movimento de aversão a risco no exterior.
— Eu atribuo grande parte desse movimento à possibilidade de atraso da reforma tributária nos EUA, o que provoca certo mal-estar entre os investidores. Estávamos na máxima histórica lá fora, e essa realização contamina outros mercados. Por aqui, a ausência de novidades concretas sobre a reforma da Previdência não permite que a Bolsa ganhe fôlego, sobretudo depois de uma saída importante de investidores estrangeiros recentemente — disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
Ontem, as ações subiram e o dólar caiu com as declarações de Michel Temer, que tentou contornar o mal-estar que gerara na segunda-feira fazendo uma defesa da reforma. Os papéis acentuaram a valorização na última hora de pregão, depois de o deputado Arthur Maia, relator do projeto, afirmar a jornalistas que “o tema voltou a caminhar”.
Nesta quinta, quem toca no tema é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que afirmou que “foi consolidado entendimento com Rodrigo Maia e líderes de que é necessário votarmos a reforma o mais rápido possível”. De acordo com o ministro, o modelo de reforma a ser apresentada será discutido com os líderes.
Em Wall Street, o índice Dow Jones cai 0,73%, enquanto a Nasdaq perde 1,03%. O S&P 500 recua 0,8%. Na Europa, as ações caíram com força, puxadas pelo desempenho de papéis de mineradoras e tecnologias e enquanto as negociações sobre o Brexit são retomadas diante de expectativas negativas e Trump se reúne com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. O Euro Stoxx 50, índice de referência do continente, registrou perda de 1,16%, enquanto a Bolsa de Londres perdeu 0,61%. Em Paris, a desvalorização foi de 1,16%, e em Frankfurt, de 1,49%.
Acompanhando seus pares no exterior, a Vale (ON, com direito a voto) registra recuo de 2,09%. A Usiminas cai 3,42%. Na Petrobras, a queda é de 0,64% (PN).
O Banco do Brasil cai 1,47%, a R$ 32,62 , depois de a companhia reportar lucro ajustado para o terceiro trimestre de R$ 2,71 bilhões, abaixo do piso das estimativas de analistas de mercado.



