RIO - A Bolsa brasileira opera em queda de 1,2% nesta quinta-feira, aos 75.664 pontos, em dia de pessimismo com o aprofundamento da crise entre Madri e a região da Catalunha e de recuo do petróleo, que cai pela primeira vez em cinco sessões. O mercado brasileiro acompanha outros emergentes, com o índice MSCI Emerging Market recuando 0,7%, para o menor nível em mais de uma semana, e os mercados na Europa e nos EUA. Também gera aversão a risco o alerta do presidente do banco central chinês sobre possibilidade de colapso repentino nos mercados. A queda do Ibovespa se dá apesar da vitória do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que rejeitou a segunda denúncia contra ele por 39 votos a 26.
No câmbio, o dólar comercial sobe 0,41% contra o real, cotado a R$ 3,178 para venda. Em escala global, porém, o dólar recua 0,17% contra as dez principais moedas, segundo o índice Dollar Spot, da Bloomberg.
Em carta ao governo espanhol, o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, ameaçou, nesta quinta-feira, votar no Parlamento local uma declaração formal de separação se Madri não se abrir ao diálogo. Como resposta, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse que realizará reunião no sábado para desencadear o processo para assumir o controle dos poderes da Catalunha, o que pode levar à intervenção do governo espanhol na autonomia catalã. Como resultado do aumento da tensão, a Bolsa de Madri cai 0,75%. Em Londres, o pregão recua 0,35%. Em Paris, a perda é de 0,45%, e em Frankfurt, de 0,57%.
Em Wall Street, após os três principais índices terem batido recorde na véspera, o Dow Jones cai 0,33% e o S&P 500, 0,39%. Além da questão catalã, causa desconforto a declaração que teria sido feita por Zhou Xiaochuan, presidente do banco central da China. Ele teria afirmado que as dívidas corporativa e imobiliária no país estão crescendo tão rapidamente que a China precisa se defender de um otimismo excessivo que poderia levar a um “Momento Minsky”. Hyman Minsky é um economista que ganhou fama com uma teoria sobre colapso repentino nos mercados após bolhas de crédito. O comentário de Zhou acontece em um dia pouco auspicioso: nos 30 anos da “Segunda-Feira Negra”, pior pregão já experimentado pelas Bolsas na história, ocorrido em 19 de outubro de 1987.
Na B3 (antiga Bovespa), a principal força negativa do pregão vem da Vale, cujo papel ordinário (com voto) cai 1,17%, a R$ 31,89, em dia de recuo de 2,93% do minério de ferro na China. A perde força depois de o presidente chinês, Xi Jinping, afirmar que o país vai continuar cortando sua capacidade de produção de aço e prometer reduzir o preço das moradias no país asiático.
Nesta quinta-feira, a mineradora brasileira anunciou que produziu volume recorde de 95,1 milhões de toneladas de minério de ferro no terceiro trimestre, uma alta de 3,3% ante o mesmo período do ano passado.
As ações da Petrobras operam em queda de 0,72% (ON), cotado a R$ 16,49 para venda, enquanto a preferencial recua 0,74% (PN, por R$ 16,04). O barril de petróleo do tipo Brent perde 1,29%, cotado a US$ 57,60, após quatro altas seguidas.




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