RIO - O índice de referência Ibovespa registra queda de 0,88% nesta terça-feira, aos 76.215 pontos, enquanto o dólar comercial opera estável, cotado a R$ 3,174 para venda. Pressionam para baixo a Bolsa as ações da Embraer, que caem 4,35% depois de as gigantes da aviação Airbus e Bombardier anunciaram um acordo que vai facilitar a competição com a americana Boeing.
— O movimento no mercado hoje tem uma explicação interna e outra externa. Internamente, pesa o cenário político, com o julgamento da denúncia contra o Temer, a decisão sobre o afastamento do Aécio. A impressão que fica é que o Congresso está parado em função disso, e esquece o resto. Se o mercado achava que havia chance de votar a reforma da Previdência nos próximos meses, agora isso só deve ficar para 2018 ou mesmo 2019 — disse Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.
Lá fora, a disputa pelo cargo de presidente do Fed influencia os mercados.
— No exterior, o fato mais importante é que o candidato, que, segundo a imprensa, tem mais chance de substituir a Yellen no comando do Fed é considerado o mais linha dura no aperto de juros. Isso pode levar a alguma saída de investimentos que estão em emergentes — acrescentou.
No exterior, o dólar opera em alta pelo segundo dia com especulação de que o próximo presidente do Fed será mais “hawkish” (favorável a aperto de juros) após economista John Taylor causar boa impressão em encontro com Trump, de acordo com fontes.
As ações da Embraer chegaram a cair 6,9% nesta terça-feira, para R$ 15,83, sua maior queda intradiária desde 16 de julho. Os bancos DeutscheBank e Scotia Capital rebaixaram suas recomendações sobre os papéis da companhia brasileira, manifestando preocupação com relação ao acordo entre a Airbus e a Bombardier.
Ontem, a Airbus concordou em comprar 50% do programa do modelo Série C da rival Bombardier. Segundo o analista do BTG Pactual Renato Mimica, em relatório publicado hoje, o negócio fortalece significativamente o programa Série C, que é o principal concorrente da Embraer no mercado de aviões para 100-150 passageiros.
“Não esperamos uma mudança dramática no mercado de aviação comercial em função desse acordo, mas acreditamos que ele deve acrescentar um obstáculo ao setor”, afirmou o Deutsche Bank, que rebaixou a ação da Embraer para manutenção.
O BTG Pactual, porém, vê “um lado bom” para a Embraer na decisão da Airbus: o negócio mostra um nome forte apostando no mercado de aviões de 100-150 lugares, disse o analista. Além disso, aumentaria a importância estratégica da Embraer para a Boeing, que não possui um portfólio de jatos regionais.
Os mercados acionários da China tiveram pouca variação nesta terça-feira, com investidores aguardando dados econômicos e o congresso do Partido Comunista esta semana, embora as empresas de recursos básicos tenham registrado perdas diante das preocupações de que as recentes altas do setor possam ter se esgotado. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve variação positiva de 0,01%, enquanto o índice de Xangai recuou 0,15%.



