RIO - A Bolsa brasileira recuou 0,40% nesta quinta-feira, aos 76.283 pontos, em dia de pessimismo com o aprofundamento da crise entre Madri e a região da Catalunha e de recuo do petróleo, que cai pela primeira vez em cinco sessões. O mercado brasileiro acompanhou outros emergentes e os mercados na Europa. Durante o pregão, o Ibovespa chegou a cair 1,6%, mas diminuiu as perdas com a recuperação da Vale e com a melhora do desempenho dos índices americanos, que ficaram praticamente estáveis, mantendo suas máximas históricas apesar da queda das ações da Apple. Também gerou aversão a risco o alerta do presidente do banco central chinês sobre possibilidade de colapso repentino nos mercados.
No câmbio, o dólar comercial subiu 0,34% contra o real, cotado a R$ 3,176 para venda. Em escala global, porém, o dólar recuou 0,2% contra as dez principais moedas, segundo o índice Dollar Spot, da Bloomberg.
A queda do Ibovespa se dá apesar da vitória do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que rejeitou a segunda denúncia contra ele por 39 votos a 26. Segundo Carlos Soares, analista da corretora Magliano, a aversão a risco em nível global faz com que os investidores ignorem o potencial positivo da rejeição da denúncia (que ainda irá a plenário, porém):
— A rejeição da denúncia contra o Temer tende a destravar os trabalhos no Congresso sobre as reformas. Mas, hoje, a grande influência é mesmo global, com as commodities caindo em reação a fatores como o discurso do Xi Jinping.
Em carta ao governo espanhol, o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, ameaçou, nesta quinta-feira, votar no Parlamento local uma declaração formal de separação se Madri não se abrir ao diálogo. Como resposta, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse que realizará reunião no sábado para desencadear o processo para assumir o controle dos poderes da Catalunha, o que pode levar à intervenção do governo espanhol na autonomia catalã. Como resultado do aumento da tensão, a Bolsa de Madri caiu 0,74%. Em Londres, o pregão recuou 0,26%. Em Paris, a perda foi de 0,41%, e em Frankfurt, de 0,41%.
Em Wall Street, após um pregão no campo negativo, o Dow Jones e o S&P 500 fecharam praticamente estáveis, se mantendo no campo positivo. A Nasdaq caiu 0,29%, puxado pelas ações da Apple, após notícia de que a demanda pelo iPhone 8 e Plus nas linhas de produção asiáticas ter caído à metade.
Além da questão catalã, causa desconforto a declaração que teria sido feita por Zhou Xiaochuan, presidente do banco central da China. Ele teria afirmado que as dívidas corporativa e imobiliária no país estão crescendo tão rapidamente que a China precisa se defender de um otimismo excessivo que poderia levar a um “Momento Minsky”. Hyman Minsky é um economista que ganhou fama com uma teoria sobre colapso repentino nos mercados após bolhas de crédito. O comentário de Zhou acontece em um dia pouco auspicioso: nos 30 anos da “Segunda-Feira Negra”, pior pregão já experimentado pelas Bolsas na história, ocorrido em 19 de outubro de 1987.
Na B3 (antiga Bovespa), a Vale reverteu as perdas ao longo do dia, e o papel ordinário (com voto) acabou subdindo 2,26%, a R$ 33,00, apesar do recuo de 2,93% do minério de ferro na China. A perdeu força depois de o presidente chinês, Xi Jinping, afirmar que o país vai continuar cortando sua capacidade de produção de aço e prometer reduzir o preço das moradias no país asiático. Mas, nesta quinta-feira, a mineradora brasileira anunciou que produziu volume recorde de 95,1 milhões de toneladas de minério de ferro no terceiro trimestre, uma alta de 3,3% ante o mesmo período do ano passado.
As ações da Petrobras fecharam em queda de 0,66% (ON), cotado a R$ 16,50 para venda, enquanto a preferencial ficou praticamente estável (PN, por R$ 16,15). O barril de petróleo do tipo Brent perdeu 1,55%, cotado a US$ 57,25, após quatro altas seguidas.




Aviso