O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, afirmou nesta quinta-feira (30) que a autoridade monetária poderá elevar os juros caso o conflito no Oriente Médio se prolongue e provoque efeitos secundários sobre preços e salários. Segundo ele, embora ainda não haja evidências de que essas pressões tenham se consolidado, o cenário permanece altamente incerto e exige cautela.
"Se o conflito no Oriente Médio persistir e tivermos efeitos secundários, provavelmente precisaremos elevar os juros", disse Bailey em entrevista coletiva após a decisão de política monetária.
O dirigente ressaltou que, até o momento, há poucos indícios de que a alta dos preços de energia tenha contaminado de forma mais ampla a inflação. Ainda assim, advertiu que "a ausência de evidências até agora não exclui futuros efeitos secundários" e que a avaliação do banco sobre esse risco "permanece preliminar". Bailey acrescentou que "não há evidências de efeitos secundários, mas não podemos tirar muito conforto disso".
Segundo Bailey, o BoE espera que os efeitos indiretos da alta da energia acrescentem cerca de 0,5 ponto porcentual à inflação no segundo semestre de 2026. Apesar disso, afirmou que as pressões inflacionárias estão se acumulando mais lentamente do que a instituição projetava em abril e destacou ser "encorajador" que a inflação ao consumidor (CPI) esteja abaixo do esperado pelo banco, o que, segundo ele, representa "mais uma evidência de que o processo de desinflação está em curso".
O presidente do banco central destacou ainda que a atividade econômica do Reino Unido permanece moderada, com mercado de trabalho enfraquecido e demanda contida, fatores que vêm limitando o repasse do aumento dos custos aos preços e tendem a reduzir o poder de barganha dos trabalhadores por reajustes salariais.
Bailey afirmou ainda que o BoE está pronto para ajustar a política monetária conforme o cenário evoluir e observou que a incerteza em torno da situação no Golfo "parece tão elevada quanto há alguns meses". Ele acrescentou que o cenário central do banco deve receber uma probabilidade menor do que o habitual diante dos riscos geopolíticos, embora a curva de juros do mercado permaneça compatível com a avaliação da autoridade monetária sobre a economia britânica.



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