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BNDES destina pelo menos R$ 40 milhões a projetos de Internet das Coisas

RIO — O BNDES vai apoiar com pelo menos R$ 40 milhões projetos-piloto de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), tecnologias de conectividade e troca de informações entre máquinas e equipamentos. A chamada pública, anunciada nesta quinta-feira, prevê que R$ 20 milhões serão não reembolsáveis - ou seja, funcionarão como uma doação do banco de fomento; o restante do dinheiro será financiado por meio de uma nova linha de crédito, a ser lançada os próximos dias, que terá valor mínimo de acesso reduzido de R$ 10 milhões para R$ 1 milhão para atrair start-ups do segmento de IoT.

A iniciativa vai contemplar três áreas. Na área de saúde, o foco serão projetos que facilitem o monitoramento de doenças crônicas, a prevenção de epidemias e a gestão de unidades de saúde. No setor rural, o objetivo é atrair iniciativas que promovam a eficiência no uso de recursos naturais, insumos e maquinário, além de soluções para a segurança sanitária. Na área de cidades, terão prioridade projetos focados em mobilidade urbana, segurança pública, eficiência energética e saneamento básico.

No crédito não reembolsado, o BNDES poderá doar entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões a cada projeto escolhido, valor que pode atingir no máximo metade do capital necessário para sua realização. O restante será financiado com os juros das linhas de financiamento do BNDES.

Os candidatos ao financiamento terão que se organizar em consórcio, sempre contendo uma instituição tecnológica sem fins lucrativos, um "cliente" para a solução (como um hospital ou um município) e uma empresa que fornecerá a tecnologia. Cada projeto deverá financiar pelo menos R$ 2 milhões e ser executado em até dois anos. O crédito não reembolsável não prevê contrapartidas para o banco, mesmo caso os projetos não deem certo.

— Vamos absorver parte do risco tecnológico envolvido em projetos desse tipo para incentivar esse tipo de solução — afirmou o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira.

De acordo com Dyogo, o objetivo é atrair o interesse de start-ups, e a presença delas no consórcio representará uma vantagem durante a seleção. A escolha também vai avaliar o impacto social dos projetos, disse. A chamada pública termina em 31 de agosto, e a expectativa do BNDES é selecionar os vencedores em até 60 dias. A liberação do credito deve se dar ainda este ano.

— A iniciativa representa um primeiro passo, cujo objetivo é criar casos de uso de soluções de Internet das Coisas. Nosso sonho é que isso se transforme em uma política de estado para fomentar essas tecnologias - disse Júlio Ramundo, superintendente do BNDES, acrescentando que o banco já tem 15 fundos de "venture capital" (capital de risco para start-ups), capital semente e investimento-anjo (capitais para start-ups em estágio embrionário) que somam R$ 600 milhões.

A chamada pública foi desenhada com base nos resultados de estudo elaborado no ano passado, sob encomenda do BNDES e do Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCTIC) , pelo consórcio McKinsey/Fundação CPqD/Pereira Neto Macedo. Segundo a pesquisa, estima-se que, em 2025, a IoT terá impacto econômico anual no Brasil de pelo menos US$ 50 bilhões. Outro estudo, do McKinsey Global Institute, previu que o impacto da IoT na economia global será de 4% a 11% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial naquele ano, podendo atingir US$ 11,1 trilhões.

O BNDES avalia lançar no futuro chamada pública semelhante voltada para o setor industrial. Os projetos poderão abarcar vários segmentos, como têxtil, que pode explorar equipamentos de computação vestível ("wearable"). A iniciativa é apoiada pelo ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Segundo o ministro Marcos Jorge, ela vai ajudar na Agenda Brasileira para a Indústria 4.0, lançada em março, e que prevê concessão de R$ 9,1 bilhões em créditos para fomentar a inovação no setor por três anos. Do total, R$ 5 bilhões virão do BNDES.

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