RIO - A BNDESPar, braço de participações do BNDES por meio da qual o banco detém participação na JBS, quer que a própria empresa mova ação de responsabilidade civil contra os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do frigorífico, pelos prejuízos causados ao patrimônio do banco em razão “dos atos ilícitos confessados” no âmbito do acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.
A posição defendida pela subsidiária do BNDES consta de documento publicado nesta segunda-feira à noite no site do banco, no qual ela descreve sua intenção de voto para vários itens da pauta da assembleia geral extraordinária, convocada a seu pedido e agendada para 1º de setembro. O documento, de cinco páginas, é assinado por Eliane Lustosa, diretora do BNDES para mercado de capitais e diretora da BNDESPar.
Além de Joesley e Wesley Batista — o primeiro era presidente do Conselho da JBS e o segundo é presidente-executivo global do frigorífico, além de ter uma cadeira no Conselho — a BNDESPar defende que a ação seja ajuizada também contra os ex-administradores da companhia Florisvaldo Caetano de Oliveira e Francisco de Assis e Silva, igualmente delatores.
A subsidiária do banco de fomento pede que a ação seja ajuizada em até 90 dias após a realização da assembleia. Defende ainda que seja contratada auditoria forense externa independente para quantificar os danos gerados em função dos atos ilícitos e identificar outros responsáveis pelos danos, caso haja algum.
A JBS não comentou a intenção de voto da BNDESPar. Limitou-se a dizer que “a administração da companhia está trabalhando intensamente na adoção de diversas medidas sempre no melhor interesse da JBS e de seus acionistas” e que “todas as decisões tomadas pelo atual Conselho de Administração foram deliberadas por unanimidade”.

